Dificuldade para engolir pode ser sinal de doença grave
Condição conhecida como disfagia afeta pessoas de todas as idades e, na maioria dos casos, está associada a patologias neurológicas
‘Dificuldade de engolir deve ser investigado para que o tratamento seja eficaz e seguro para o paciente’, Amando Camargo Cunha Jr.
Engolir alimentos, líquidos ou até a própria saliva é um ato que a maioria das pessoas realiza sem perceber. Quando essa função passa a exigir esforço ou causa desconforto, o sinal merece atenção médica. A dificuldade para deglutir tem nome — disfagia — e pode indicar condições clínicas sérias que exigem diagnóstico e tratamento adequados.
O diretor clínico e coordenador do Departamento de Cirurgia Geral da Santa Casa de Piracicaba, Amando Camargo Cunha Jr., explica que a disfagia raramente é um problema isolado. “Ela é, na grande maioria das vezes, uma manifestação de uma doença de base. O médico precisa investigar a causa para que o tratamento seja eficaz e seguro para o paciente”, afirma.
Entre as patologias associadas estão doenças neurológicas, demências, síndromes, trauma crânio-encefálico, câncer de cabeça e pescoço e doença do refluxo gastroesofágico. Pacientes submetidos à ventilação mecânica ou em uso de traqueostomia também compõem esse grupo, explica o médico.
Na Santa Casa de Piracicaba, a dimensão do problema é expressiva. Cerca de 80% da atuação da equipe de fonoaudiologia do hospital envolve pacientes com disfagia — e, desse total, 70% são casos neurológicos. A Santa Casa de Piracicaba é unidade credenciada e de referência no atendimento ao AVC (Acidente Vascular Cerebral), condição em que a disfagia é uma das complicações mais frequentes.
“O AVC compromete funções motoras e cognitivas que afetam diretamente a deglutição. Nesses casos, a atuação integrada entre a equipe médica e a fonoaudiologia dentro do protocolo de atendimento é determinante para a recuperação do paciente e para evitar complicações, como a pneumonia aspirativa”, destaca Cunha Jr.
O diagnóstico precoce é um ponto destacado pelo diretor clínico. “Quando o paciente chega ao médico com queixa de dificuldade para engolir, o caminho correto é investigar. Não se trata de um sintoma que deve ser ignorado ou atribuído ao envelhecimento sem avaliação”, ressalta.
O tratamento envolve equipe multiprofissional e, no campo da fonoaudiologia, conta com recursos como a modificação da consistência dos alimentos — com uso de espessantes para líquidos —, manobras posturais para facilitar a deglutição, técnicas de proteção das vias aéreas e exercícios de motricidade orofacial e respiratória.
O Dia Nacional de Atenção à Disfagia é celebrado em 20 de março. Para Cunha Jr., a data reforça a necessidade de uma cultura de diagnóstico ativo. “O paciente que percebe sintomas recorrentes de dificuldade para engolir deve procurar atendimento. Na maioria dos casos, há tratamento disponível e a intervenção precoce faz diferença real no prognóstico.”




