Do acolhimento à articulação: o papel do Serviço Social no cuidado hospitalar
Na Santa Casa de Piracicaba, assistentes sociais integram a equipe multiprofissional e realizam mais de 2 mil atendimentos por mês
Parte da equipe de assistência social que atua no complexo hospitalar da Santa Casa de Piracicaba
O cuidado em saúde não se encerra no diagnóstico, no procedimento realizado ou na alta hospitalar. Em muitos casos, especialmente nos de maior complexidade clínica, a continuidade do tratamento depende das condições sociais do paciente, do suporte familiar e do acesso à rede pública de saúde e assistência. É nessa interface que atua o Serviço Social — e é para reconhecer essa atuação que o Brasil celebra, em 15 de maio, o Dia do Assistente Social.
Na Santa Casa de Piracicaba, o Serviço Social reúne profissionais que respondem diariamente a situações que vão além do que é visível nos leitos — desde famílias em situação de vulnerabilidade até casos que demandam intervenções no âmbito hospitalar, com encaminhamentos para a rede de assistência e para os serviços de saúde. A atuação se consolida por meio da articulação entre os serviços existentes e a equipe hospitalar. O time é formado pelas assistentes sociais Alayde Cristine Mendes Teixeira, Gerusa de Melo Correa, Andréia Luciene Rodrigues, Carina Vieira do Amaral, Elisabete Regina Theodoro Costa e Karina Peruch Bottini, distribuídas em setores como Cecan, Caixa Beneficente, Hospital, Saúde Inteligente e Unidade de Nefrologia.
“Trabalhamos com o paciente e suas famílias e integramos equipe multiprofissional do hospital, que inclui enfermeiros, fisioterapeutas, psicólogos, médicos e nutricionistas”, explicam as profissionais. Os departamentos realizam mais de 2.000 atendimentos por mês, incluindo a participação, transição de cuidados, acolhimento de familiares em cuidados paliativos”, explicam as profissionais.
A atuação ultrapassa os limites da instituição. As profissionais mantêm articulação permanente com órgãos municipais, estaduais e federais, encaminham demandas para serviços de assistência social, saúde e proteção e intervêm no contexto social dos pacientes atendidos. No ambiente das UTIs, o Serviço Social também atua no acolhimento aos familiares e contribui para que paciente e família compreendam o processo de tratamento.
“Quando a pessoa é hospitalizada, torna-se visível a vulnerabilidade que acomete todos os que passam por essa situação. É um momento de fragilidade e ansiedade devido à enfermidade, que atinge também seus familiares. E é neste ponto que o atendimento humanizado e a atuação da assistência social fazem toda a diferença”, destaca a equipe.
A data de 15 de maio ganha, em 2026, uma dimensão adicional: o Serviço Social brasileiro completa 90 anos, marco celebrado pelo Conjunto CFESS-CRESS com o mote “Com direitos, democracia e unidade na diversidade, a gente faz o nosso Brasil”. O tema aprovado no 52º Encontro Nacional, realizado em Campo Grande em 2025, foi “90 anos do Serviço Social no Brasil: unidade na diversidade, socialização da política e radicalidade democrática das lutas”.
O Brasil conta atualmente com mais de 120 mil profissionais de Serviço Social registrados no Conselho Federal de Serviço Social (CFESS), campo de atuação que abrange educação, saúde, habitação, Ministério Público, empresas privadas, prefeituras, hospitais e organizações da sociedade civil, entre outros. Na Santa Casa de Piracicaba, esse trabalho se traduz em presença diária, mediação de conflitos, escuta qualificada e conexão entre a realidade social e o plano de cuidado — elementos que ampliam o alcance do tratamento e reforçam o compromisso institucional com a humanização da assistência.




