O pneumologista Felipe Fernando Bellato lembra que o tabagismo compromete o organismo de diferentes maneirasse está associado a diversas doenças
Cigarro convencional, eletrônico, vape, pod, narguilé ou tabaco aquecido. As formas de consumo podem variar, mas todas exigem atenção pelos riscos que representam à saúde. No Dia Nacional de Combate ao Fumo, celebrado em 29 de agosto, a Santa Casa de Piracicaba reforça a importância da prevenção e do enfrentamento ao tabagismo, uma doença crônica relacionada à dependência da nicotina.
Segundo o pneumologista Felipe Fernando de Mattos Bellato (CRM/SP 46.602), o tabagismo compromete o organismo de diferentes maneiras e está associado ao desenvolvimento de doenças respiratórias, cardiovasculares e diversos tipos de câncer. “Não se trata apenas de um hábito. Existe uma dependência química que pode exigir acompanhamento e tratamento para que a pessoa consiga parar de fumar”, explica.
A preocupação aumentou com a popularização dos cigarros eletrônicos, principalmente entre adolescentes e adultos jovens. Com aromas, sabores e diferentes apresentações, vapes e pods podem transmitir uma falsa percepção de menor risco. “Não produzir a fumaça característica do cigarro convencional não significa que aquilo que está sendo inalado seja inofensivo”, ressalta o pneumologista.
Segundo ele, esses dispositivos aquecem substâncias para produzir um aerossol que pode conter nicotina e compostos tóxicos, associados à dependência e a danos respiratórios e cardiovasculares. Como são relativamente recentes, seus efeitos a longo prazo ainda estão sendo estudados.
Embora a fabricação, importação, comercialização e propaganda desses dispositivos sejam proibidas no Brasil pela Anvisa, a atratividade entre os jovens preocupa. “Sabores, aromas e a aparência tecnológica podem diminuir a percepção do risco, favorecer a experimentação e levar à dependência da nicotina”, alerta Bellato.
Por outro lado, mesmo após muitos anos de tabagismo, parar de fumar traz benefícios que começam rapidamente. Pressão arterial e pulsação tendem a se normalizar e, progressivamente, há melhora da oxigenação, da função pulmonar, da circulação, do olfato e do paladar, além da redução dos riscos de doenças cardiovasculares. “Não importa há quanto tempo a pessoa fuma. O organismo começa a se beneficiar desde os primeiros momentos, e esses ganhos aumentam ao longo do tempo”, explica.
Uma das dificuldades para abandonar o cigarro é a abstinência da nicotina, cujos sintomas são mais intensos no início, mas tendem a ser transitórios. Acompanhamento profissional, mudanças comportamentais e, quando indicado, medicamentos podem auxiliar no processo. “Uma recaída não significa fracasso. Identificar os gatilhos e buscar orientação adequada pode fazer a diferença”, afirma Bellato.
Para o pneumologista, a prevenção também precisa acompanhar as novas formas de consumo. “O cigarro mudou de formato, mas isso não tornou seu consumo seguro. A melhor escolha é não começar e, para quem fuma, buscar ajuda para parar”, conclui.




