Docente aposentado do departamento de Entomologia e Acarologia da Esalq morre aos 91 anos
Formado na Esalq em 1956, concluiu o doutorado em Entomologia pela Universidade de São Paulo (1969)
Foto: Paulo soares
Faleceu nesta quinta-feira (11), aos 91 anos, o professor Octávio Nakano, docente aposentado do Departamento de Entomologia e Acarologia da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq/USP).
Formado na Esalq em 1956, concluiu o doutorado em Entomologia pela Universidade de São Paulo (1969). Docente aposentado do departamento de Entomologia e Acarologia da Esalq, desenvolveu estudos na área de Agronomia, com ênfase em Entomologia Agrícola, atuando principalmente com citros, pragas, zulia, controle e manejo.
O velório acontecerá no dia 12 de junho de 2026 (sexta-feira), das 08h00 às 17h00, na Sala “Diamante” do Velório do Crematório Memorial Metropolitano de Piracicaba. Procedimentos de Cremação serão realizados posteriormente.
Em agosto de 2008, o docente concedeu entrevista ao boletim Esalq Notícias. O texto, na íntegra, está reproduzido abaixo.
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Esalq Notícias nº 14, agosto de 2008, Projeto Memória
“Sou entomologista por causa de um ‘mamão’ que Deus me deu”
É dessa forma que Octávio Nakano define sua opção pela ciência que estuda
os insetos. E, por mais paradoxal que seja a afirmativa, ela é verdadeira. Ainda estudante, juntamente com um companheiro de república, foram flagrados ‘roubando’ mamões, entre outras frutas que estavam a cair do pé de um experimento do professor Friedrich Gustav Brieger, tendo que se justificar para o então diretor da época, Érico da Rocha Nobre. “Eles se mostraram enérgicos e tive que implorar para não ser expulso!”, recorda.
Surgiu daí a amizade com Brieger, geneticista alemão e um dos fundadores da genética vegetal no Brasil, que concedeu a Nakano uma bolsa de estudos no México, logo após sua formatura, em 1956. Enquanto aguardava a data da viagem, que foi adiada por duas vezes, estagiou com o professor Francisco de Assis Menezes Mariconi, como bolsista da Capes. “Nesse meio tempo, o governo estadual repassou uma grande verba para a erradicação do cancro-cítrico, que se alastrava pelos pomares de São Paulo, e acabei sendo contratado pelo Instituto Biológico (IB)”.
Natural de São Bernardo do Campo, seu pai foi agricultor e posteriormente avicultor. Assim, era comum na família a idéia dos dois filhos cursarem agronomia ou veterinária. Inicialmente, o irmão faria agronomia e Nakano clinicaria para os animais. “Certo dia, andando pela Vila Mariana, em São Paulo, meu irmão encontrou a Faculdade de Medicina Veterinária da USP e gostou. Acabamos por inverter os papéis e eu vim para cá”.
Ingressou na ESALQ em 1953 e, enquanto aluno, foi morador da República Copacabana, uma das mais tradicionais e também uma das mais antigas do Brasil, com 85 anos, além de tesoureiro da centenária Associação Atlética Acadêmica “Luiz de Queiroz” e presidente do Centro Acadêmico. Graduou-se em 1956, pois o curso ainda era de apenas quatro anos.
Veio à ESALQ em 1964 para um treinamento de uma semana no departamento de Fitopatologia e Entomologia, quando então conheceu o professor Domingos Gallo. “Na época houve concurso para chefe de departamento e, durante a aula, Gallo disse que revolucionaria a Entomologia se passasse, tornando o departamento mais eficiente para o agricultor”.
Uma vez aprovado, o novo chefe abriu concurso para novos professores. “Naquele tempo se contratava por indicação, mas apareceram seis pretendentes à vaga e o professor Gallo resolveu fazer um exame. Passei em primeiro lugar e posso dizer que sou o primeiro professor a entrar concursado na Escola”.
Ao longo de sua carreira profissional teve dois grandes marcos. A primeira foi aceitar o convite do governo para trabalhar no campo. “Entre 1959 e 1965, chefiei a região fitossanitária de Araraquara/SP, o que me deu uma bagagem prática da agronomia, e ao mesmo tempo realizava assessorias técnicas”. A outra é anterior. “Ainda quando ingressei no IB, em 1957, trabalhei na erradicação do Cancro Cítrico até 1959 e o salário era três vezes maior do que a Escola pagava. Não compensava ser professor!”.
Voltou à ESALQ quando foi criado o regime de tempo integral e houve um aumento substancial do salário. “Passei a receber aqui na Escola o equivalente ao que me pagavam em Araraquara, tendo um só emprego, ficando perto da família e ainda ganhava para estudar”.
Foi muito bem recebido pelos alunos quando começou a lecionar, pois sua grande vantagem é que tinha quase dez anos de experiência prática. “Os alunos percebiam isso, tanto que meu trabalho sempre visava os problemas do agricultor. Durante minha carreira de professor passaram por mim quase 600 estagiários, alunos de agronomia, sendo orientador de cerca de 80 engenheiros agrônomos em mestrado e doutorado, hoje espalhados pela América do Sul e Central”.
Aposentado pelo sistema compulsório desde 2005, ainda continua atuando na Escola como permissionário no departamento de Entomologia, Fitopatologia e Zoologia Agrícola. Como pesquisador, possui nada menos do que cinco patentes. “Todas úteis e aplicáveis”.




