Doença celíaca exige diagnóstico precoce e atenção permanente à alimentação
Gastroenterologista da Santa Casa de Piracicaba alerta para sintomas silenciosos da doença e reforça importância do acompanhamento contínuo
“Doença ocorre quando o sistema imunológico reage ao glúten provocando inflamação e lesões nas vilosidades do intestino delgado”, informa Marcelo Aniche
Dor abdominal frequente, diarreia, inchaço, anemia sem explicação aparente e cansaço constante. Embora muitas pessoas associem esses sintomas a problemas passageiros ou intolerâncias alimentares, eles também podem indicar uma condição autoimune crônica que ainda é subdiagnosticada no Brasil: a doença celíaca.
No dia 16 de maio, quando é celebrado o Dia Mundial de Conscientização sobre a Doença Celíaca, especialistas chamam atenção para a importância do diagnóstico precoce e da adesão rigorosa à dieta sem glúten como única forma eficaz de controle da doença.
Segundo o gastroenterologista da Santa Casa de Piracicaba, Marcelo Aniche, a doença ocorre quando o sistema imunológico reage ao glúten — proteína presente no trigo, centeio e cevada — provocando inflamação e lesões nas vilosidades do intestino delgado, estruturas responsáveis pela absorção dos nutrientes.
“A doença celíaca não é uma simples intolerância alimentar. Trata-se de uma doença autoimune que pode comprometer significativamente a qualidade de vida e causar consequências nutricionais importantes quando não identificada e tratada corretamente”, explica o médico.
Os sintomas podem variar bastante entre os pacientes. Enquanto alguns apresentam manifestações intestinais clássicas, como diarreia, dor abdominal e distensão, outros desenvolvem sinais menos específicos, como fadiga, dores de cabeça, alterações de pele, anemia, perda de peso e até dificuldades no crescimento infantil.
De acordo com o especialista, o diagnóstico é feito por meio de exames de sangue específicos, como a dosagem de anticorpos, e geralmente confirmado com biópsias do intestino delgado realizadas durante endoscopia digestiva alta. “É importante que o paciente continue consumindo glúten até a conclusão da investigação, para evitar resultados falso-negativos”, ressalta.
“Existem pacientes que passam anos sem diagnóstico porque os sintomas são confundidos com outras condições. Em muitos casos, a doença se manifesta de forma silenciosa, sem sinais digestivos evidentes”, destaca Marcelo Aniche.
Estimativas apontam que cerca de 1% da população mundial seja celíaca, mas grande parte ainda não recebeu diagnóstico. O tratamento exige exclusão total e permanente do glúten da alimentação. “A melhora costuma ser significativa após a retirada do glúten. O intestino pode se regenerar e os sintomas tendem a desaparecer, mas é fundamental manter vigilância constante, inclusive com atenção à contaminação cruzada em utensílios e alimentos industrializados”, orienta o gastroenterologista.
Em 2025, o Ministério da Saúde atualizou o Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas (PCDT) da Doença Celíaca no SUS, incorporando novos critérios diagnósticos e ampliando recomendações para grupos específicos, como crianças menores de 2 anos e pacientes com deficiência de IgA. Para Marcelo Aniche, a conscientização ainda é uma das principais ferramentas para reduzir o número de casos não diagnosticados.
“Quanto mais cedo a doença for identificada, menores são os riscos de complicações como desnutrição, osteoporose, anemia persistente e outros problemas associados. Informação e orientação adequada fazem toda a diferença para que o paciente tenha uma vida saudável e sem limitações”, conclui.




