Doenças silenciosas ameaçam a visão de milhões de brasileiros
No Dia da Oftalmologia, especialista da Santa Casa de Piracicaba alerta para a importância do diagnóstico precoce de condições que avançam sem sintomas
‘O diagnóstico precoce permite adotar medidas que retardam a progressão das doença oculares’, ressalta o médico
Perder a visão gradualmente, sem perceber. Essa é a realidade de muitos pacientes que chegam ao consultório oftalmológico com danos já estabelecidos — situação que, em grande parte dos casos, poderia ter sido evitada com uma consulta de rotina. No dia 7 de maio, data em que se celebra o Dia da Oftalmologia, a mensagem que fica é sobre os hábitos de cuidado com a saúde ocular.
O médico Diogo Hara Ariosa, coordenador do serviço de oftalmologia da Santa Casa de Piracicaba, explica que o principal desafio da especialidade está justamente na natureza de algumas das doenças mais prevalentes. “O glaucoma, as retinopatias e as degenerações maculares são condições que evoluem de forma silenciosa. O paciente não sente dor, não nota alteração significativa na visão nas fases iniciais e, por isso, demora a buscar atendimento. Quando chega, o dano já pode ser irreversível”, afirma.
Entre as condições mais comuns e de maior impacto estão o glaucoma, caracterizado pelo aumento da pressão intraocular que danifica progressivamente o nervo óptico e pode levar à cegueira irreversível; a catarata, opacificação do cristalino que compromete a nitidez da visão e é a principal causa de cegueira reversível no mundo; a degeneração macular relacionada à idade (DMRI), que afeta a região central da retina e prejudica atividades como leitura e reconhecimento facial; e a retinopatia diabética, complicação do diabetes que danifica os vasos sanguíneos da retina e figura entre as maiores causas de cegueira em adultos em idade produtiva. O ceratocone, deformação progressiva da córnea que distorce a visão, e o descolamento de retina, emergência oftalmológica que exige intervenção imediata para evitar perda visual permanente, completam o quadro de doenças que exigem atenção e vigilância.
“A detecção antecipada muda completamente o prognóstico. Com o diagnóstico precoce, é possível adotar medidas que retardam a progressão da doença e preservam a função visual por muito mais tempo”, destaca Ariosa.
A atuação do oftalmologista vai além da prescrição de óculos ou lentes de contato — percepção ainda comum entre a população. O especialista realiza uma análise detalhada da estrutura e do funcionamento do olho, o que permite identificar alterações antes mesmo que o paciente perceba qualquer sintoma. “A oftalmologia é uma especialidade que une tecnologia e clínica de forma muito precisa. Exames como a tomografia de coerência óptica e a campimetria computadorizada nos permitem enxergar o que o paciente ainda não sente”, explica o médico.
No campo da prevenção, algumas medidas reduzem significativamente o risco de complicações: realizar consultas oftalmológicas anuais a partir dos 40 anos ou antes; manter o controle rigoroso da glicemia no caso de diabéticos; usar proteção solar ocular, especialmente óculos com filtro UV; evitar o tabagismo e adotar hábitos alimentares ricos em luteína, zeaxantina e vitaminas C e E, nutrientes associados à saúde da retina.
“A visão é um sentido que impacta diretamente a autonomia e a qualidade de vida das pessoas. Cuidar dos olhos não deveria ser uma atitude reativa, tomada apenas quando algo dói ou incomoda. Deveria ser parte da rotina de saúde de todo brasileiro”, conclui Ariosa.



