Dois nomes fundamentais para a cultura piracicabana atual
Cecílio Elias Netto e Marly Therezinha Germano Perecin
Há dois grandes talentos literários em Piracicaba que não podem ser esquecidos nunca. Ambos vivos e atuantes. Escrevem como gente grande. É assim que se dizia antigamente. Além de terem o potencial de conectar Piracicaba com o mundo em suas produções.
O primeiro é Cecílio Elias Netto. Um jornalista incomparável, que sempre preferiu ser colunista de jornal. Suas opiniões avassaladoras em relação à cidade e aos governos municipais marcaram épocas. Ele é um híbrido entre empreendedor e analista dos fatos.
A segunda personalidade é Marly Therezinha Germano Perecin. Uma pesquisadora exemplar, especializada em Vale Médio do Tietê. Graças a ela, revelou-se a cidade de Itu como a mãe cultural e política de Piracicaba.
Cecílio
Digo passional, porque Cecílio, como um apaixonado por Piracicaba, sempre mesclou seus sentimentos pela Noiva da Colina com o que ele gostaria de ver acontecendo na cidade. Como a gestão pública tem outras prioridades técnicas, a emoção fica sempre para o observador, que aprova ou não as iniciativas de um governo.
É nesse ponto que entra Cecílio, para explicar que a alma da cidade não é apenas um espaço para demandas, mas também para considerações poéticas e sociológicas, para não dizer, subjetivas. Seu olhar está sempre no futuro, esperando que a cidade siga os seus traçados rumo aos seus sonhos. O que raramente acontece.
Desde “Memorial de Piracicaba” até seus livros mais recentes, há sempre muita energia acumulada nos traços de Cecílio. Pode-se dizer que ele é o último remanescente de uma geração que não só conhecia as pedras do Rio Piracicaba como também os passos dos personagens ilustres que enfeitavam as cenas mais pitorescas e multicoloridas da cidade. Um de seus romances marcantes: “Bagaços da Cana”.
Aquele velho bordão, “aumento, mas não invento”, está sempre presente no que ele escreve. Mas é um aumentar que dá o sabor de sua literatura. Por isso é preciso saber ler suas obras com critérios. Tirando os excessos de um apaixonado, o que resta é gigante e muito bom para se apreciar e se aprender sobre a terra e os motivos de suas paixões.
Marly
Marly sempre soube enaltecer a província falando apenas a verdade, nada mais do que a verdade, com doçura e afeto. É uma historiadora que pesquisa a fundo antes de se sentar diante do seu computador. Desde muito jovem, ela se especializou em analisar documentos e chegou a desafiar nomes ilustres da intelectualidade local, apontando detalhes que ajustam entendimentos sobre o movimento político e cultural da região.
Sua sensibilidade o levou também ao romance histórico. Penso até que seus romances são verdadeiras obras-primas, que a cidade deveria valorizar mais. “Ypié”, “Candeias em Espelho D’Água”, “Encontro das Águas” e “Rosarinho” precisam virar leitura obrigatória, inclusive em gabinete público. Não se conhece a história de Piracicaba se não ler as obras de Marly Therezinha Germano Perecin. Uma vez assisti a uma palestra sobre Piracicaba, se não me engano, proferida por Marilda Soares, uma historiadora que conhece muito a obra de Marly. Era aniversário da cidade e estávamos no Engenho Central.
Ao terminar a palestra, o então prefeito, Luciano Almeida, disse que acabava de aprender sobre a importância de Itu para Piracicaba. Vamos e venhamos, uma manifestação inapropriada para a ocasião, que revelou o prefeito e sua cultura.
Este é apenas um detalhe, que demonstra a dificuldade para que as pessoas leiam uma escritora tão fundamental como ela. Chego até aqui com os meus louvores, porque acho suficiente para aqueles que sabem sobre a importância do pingo para um bom entendedor.





