Estudo aponta benefícios de terapias no tratamento da dor do crescimento
Benefícios das terapias estudadas foram comprovados em crianças entre 4 e 12 anos
O artigo "Terapia combinada com laser de baixa intensidade e ultrassom para dores de crescimento em crianças de quatro a doze anos: um estudo piloto", fruto de pesquisa desenvolvida na UFSCar, foi publicado na última edição da revista internacional Journal of Biophotonics. O estudo apontou os benefícios da associação entre laserterapia de baixa potência e terapia ultrassônica para o tratamento da dor de crescimento em crianças.
A pesquisa foi realizada por meio da colaboração interinstitucional entre o Departamento de Medicina (DMed) UFSCar e o Instituto de Física da Universidade de São Paulo (USP) - campus São Carlos, evidenciando a natureza multidisciplinar e inovadora do projeto. O objetivo do estudo foi descobrir se o uso da laserterapia combinada à terapia ultrassônica exerce efeitos analgésicos em crianças diagnosticadas com dor de crescimento. "Se, na vigência de tais efeitos, eles são agudos, crônicos ou estão presentes em ambos os cenários", explica Noahn Gabriel Silva Pereira, pesquisador e estudante do curso de Medicina da UFSCar e um dos autores do artigo.
A dor do crescimento é uma das causas mais comuns de dor musculoesquelética episódica na infância, embora sua fisiopatologia e etiologia ainda não sejam completamente conhecidas. O quadro clínico caracteriza-se por dor bilateral em membros inferiores, frequentemente descrita como cãibra, acometendo principalmente crianças entre quatro e dez anos. Noahn Pereira explica que as crises dolorosas ocorrem predominantemente à noite, podendo interromper o sono, mas geralmente desaparecem pela manhã. De acordo com o pesquisador, as dificuldades diagnósticas e a ausência de consenso sobre fisiopatologia e tratamento da dor do crescimento não estão localizadas apenas no Brasil, sendo relatadas em vários estudos internacionais. "Pesquisas demonstram ampla variação na prevalência da doença, dependendo dos critérios diagnósticos utilizados, evidenciando a falta de padronização. Além disso, há escassez de estudos controlados sobre tratamento, fazendo com que grande parte das condutas atuais se baseie em experiência clínica e opinião de especialistas. Assim, o tratamento concentra-se principalmente no controle sintomático, incluindo analgésicos, alongamentos, massagens, fisioterapia e orientação aos pais sobre o caráter benigno e autolimitado da condição", pontua Pereira.
Diante desse contexto, terapias não farmacológicas, como a laserterapia de baixa intensidade e a terapia ultrassônica, têm sido estudadas como alternativas promissoras devido aos seus efeitos analgésicos e anti-inflamatórios. "A associação dessas duas modalidades terapêuticas pode potencializar os benefícios clínicos e aumentar a eficácia no tratamento da dor de crescimento", defende o pesquisador da UFSCar.
O resultado da pesquisa desenvolvida na Universidade demonstrou exatamente a segurança e a potencial eficácia da associação dessas terapias no tratamento das dores de crescimento em crianças de quatro a 12 anos. "A segurança clínica observada com o uso dos equipamentos de laser e ultrassom nas crianças participantes deste estudo piloto fornece uma base sólida para a realização de futuros ensaios clínicos com amostras maiores e períodos mais longos de acompanhamento", descreve Pereira.
Embora seja considerada uma síndrome benigna e autolimitada, Noahn Pereira afirma que tratar corretamente a dor do crescimento é fundamental, também, para a saúde na fase adulta. "O manejo adequado é importante para aliviar o sofrimento da criança, reduzir a ansiedade familiar e possivelmente evitar a cronificação da dor na vida adulta. A condição também pode estar associada futuramente a outras doenças dolorosas, como enxaqueca, fibromialgia e distúrbios reumáticos", explica.
"Ter um artigo publicado em uma revista de alta relevância indica que estamos seguindo o caminho certo, com produções científicas robustas e com contribuições importantes para futuras pesquisas e para a saúde da população infantil, além de valorizar a colaboração interinstitucional entre UFSCar e USP", conclui.
A íntegra do artigo pode ser acessada neste link, que contém a relação completa dos autores. A pesquisa foi realizada entre os anos de 2024 e 2025, aprovada pelo Comitê de Ética em Pesquisa da UFSCar (CAAE: 84134024.0.0000.8148).
Dor Pediátrica
Os pesquisadores envolvidos no estudo estarão entre os palestrantes do I Congresso Internacional de Humanização dos Cuidados em Dor Pediátrica, do projeto HUPEDCARE (Higher Education as a Driver in the Humanisation of Pediatric Pain Care), juntamente com o II Congresso Brasileiro de Dor Infantil e Cuidados Paliativos Pediátricos e o II Simpósio de Tecnologias em Saúde Infantil, que serão realizados presencialmente na UFSCar, em São Carlos, nos dias 21, 22 e 23 de maio de 2026.
Os eventos reunirão especialistas de 14 países e mais de 30 universidades do Brasil e do exterior, incluindo instituições como Harvard Medical School, Universidade de São Paulo, Universidade Federal de São Paulo, Hospital Israelita Albert Einstein e Hospital Sírio-Libanês, consolidando São Carlos como um importante polo internacional de discussão sobre inovação, humanização e saúde infantil.
Matéria: Gisele Bicaletto | Notícias da UFSCar.




