“Dos Mares, o Melhor”: e-book aponta caminhos para a sustentabilidade do oceano
Livro do oceanógrafo e professor do Instituto Oceanográfico da USP Alexander Turra foi lançado durante a “SP Ocean Week”, realizada em maio no Memorial da América Latina
Livro reúne textos do pesquisador Alexander Turra publicados durante cinco anos na coluna Oceanos da Scientific American Brasil – Foto: Portal de Livros Abertos
Com a expressão Dos Mares, o Melhor como título, o livro que acabou de ser lançado no dia 21 de maio no evento SP Ocean Week, a Semana dos Mares, transmite uma mensagem de esperança, em contraste com a resignação diante das agressões que o meio ambiente marinho vem sofrendo. Com autoria do oceanógrafo e professor do Instituto Oceanográfico (IO) da USP Alexander Turra, a obra reúne seus textos publicados durante cinco anos na coluna Oceanos, da Scientific American Brasil, abordando desde problemas ambientais até os avanços na agenda oceânica, nacional e internacional. O e-book Dos mares o melhor: caminhos para a sustentabilidade do oceano está disponível para download gratuito no Portal de Livros Abertos da USP.
Segundo o próprio autor, a mensagem que o título passa, em vez de apresentar a atitude resignada do ditado popular original, “dos males, o menor” – nas palavras dele, conformada e derrotada pelas diferentes agressões que afetam o ambiente marinho –, ele considerou o referencial oposto, buscando o melhor, o ideal. “Juntando indignação em relação a fatos preocupantes, ao relato histórico e ao entusiasmo pelos avanços alcançados nas agendas nacional e internacional do Oceano, a forma como escolhi militar no campo da Cultura Oceânica, do inglês Ocean Literacy, seguiu essa linha editorial e filosófica. Isso impregnou as mensagens transmitidas nos textos, escritos ao longo dos cinco anos em que fui colunista da Scientific American Brasil, a principal revista de divulgação científica do País”, informa no livro.
Na apresentação, Roseli de Deus Lopes, diretora do Instituto de Estudos Avançados (IEA) da USP, afirma que o livro reúne uma reflexão madura, sensível e profundamente comprometida com um dos temas mais importantes do nosso tempo: a relação entre sociedade e oceano. “Este livro expressa, de maneira exemplar, essa convergência. Ao transformar anos de atuação intelectual, científica e comunicadora em textos acessíveis, instigantes e mobilizadores, Turra nos oferece não apenas um conjunto de análises sobre o mar, mas um convite à formação de uma consciência oceânica ampla, crítica e cidadã”, escreve.
Capa e páginas do livro que tem download gratuito – Foto: Portal de Livros Abertos
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A diretora também ressalta que os textos de Turra, que também é coordenador da Cátedra Unesco para Sustentabilidade do Oceano (vinculada ao IEA-USP e ao IO-USP), dialogam com a construção de uma agenda universitária comprometida com a sustentabilidade do oceano. “Ao longo destas páginas, o leitor encontrará muito mais do que informações sobre conservação marinha, mudanças climáticas, poluição, pesca, governança e economia azul. Encontrará também um modo de pensar que recusa a indiferença e afirma a urgência de restaurarmos nossa capacidade de compreender o Oceano como dimensão central da vida, da democracia, da justiça social e da sustentabilidade”, informa.
O Brasil
Alexander Turra, professor do IO e autor do livro – Foto: Divulgação/Ocean Week
O artigo de abertura do livro, intitulado, O Brasil ainda não é uma nação marítima, mostra que o nosso conhecimento dos oceanos ainda está engatinhando, como aponta o autor. Hoje o Brasil tem jurisdição sobre uma área de cerca de 13 milhões de km². Destes, cerca de 4,5 milhões de km² correspondem a áreas marinhas, equivalendo a cerca de 53% da área continental. Ou seja, o País tem o direito de usar esse território marinho e o dever de cuidar dele”, afirma Turra. (…) O Brasil pode, portanto, ser considerado um país marítimo, não apenas pela ampla extensão de sua costa (cerca de 8,5 mil km), mas também pela incorporação desse espaço oceânico. Entretanto, o País ainda engatinha quanto ao entendimento que os cidadãos têm sobre a importância e o funcionamento do ambiente marinho”, lamenta.
Para corroborar sua afirmação, o autor cita dados do livro O Brasil e o Mar no século XXI: Relatório aos tomadores de decisão do país, de 2011: quase três em cada dez brasileiros (29%) não conhecem o mar, número que sobe para 58% da população se as regiões Norte e Centro-Oeste são consideradas. “Segundo a pesquisa, 73% dos entrevistados afirmava dar muita importância para o mar, priorizando o fato de ser fonte de alimento (67%) e de lazer (39%). Revelou-se que a preservação marinha não é a principal preocupação para a maioria dos brasileiros, que priorizam a proteção das florestas e a redução da poluição do ar”, informa.
Para Turra, esse cenário é reflexo da ausência dessa temática na formação dos professores e nos currículos escolares. Segundo ele, uma pesquisa recente do Instituto Oceanográfico da Universidade de São Paulo analisou com que frequência temas relacionados ao ambiente marinho são considerados pelos Parâmetros Curriculares Nacionais e pela Base Nacional Comum Curricular, e concluiu que tais temas e tópicos são mencionados de forma superficial e não como um objeto específico de estudo.
Ainda tem jeito
Outro artigo aborda a questão do lixo nos oceanos, que, para o autor, ainda há bons motivos para acreditar que nem tudo está perdido. Em Oceanos, lixão do planeta, Turra informa que estudos feitos ao longo das últimas décadas evidenciam as mais variadas formas de agressão aos oceanos. “Derramamentos de petróleo, pesca excessiva, supressão de manguezais são exemplos de impactos diretos das atividades humanas no ambiente marinho. As mudanças climáticas globais correspondem a outra ação antrópica que afeta os oceanos de várias maneiras. Somem-se também os problemas gerados no ambiente terrestre, como esgoto urbano, fertilizantes e defensivos agrícolas e lixo”, cita, afirmando que essa combinação cria um enorme desafio para a humanidade.
Como contraponto, diz Turra, a comunidade internacional iniciou um processo de discussão e elaborou ações para combater esse cenário. Ele lembra que, além da Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente e o Desenvolvimento (1992) e das conferências sobre Desenvolvimento Sustentável (2002 e 2012), o sistema das Nações Unidas deu em 2015 dois grandes passos em busca do combate à degradação dos oceanos: a criação da Agenda 2030, estabelecendo O ODS 14, que busca a “conservação e uso sustentável dos oceanos (…) para o desenvolvimento sustentável”, e o segundo corresponde à primeira avaliação global dos oceanos, vinculada ao Processo Regular de Avaliação da Qualidade dos Oceanos, Incluindo Aspectos Socioeconômicos.
Leia o livro Dos Mares, o Melhor: caminhos para a sustentabilidade do oceano na íntegra neste link.
Fonte: Claudia Costa - Jornal da USP





