Eleições e pesquisas
O início oficial das campanhas terá força para mudar o quadro da polarização?
O eleitorado começa a se movimentar. Apesar de predominar os votos nos extremos, entre Flávio Bolsonaro (PL) e Lula (PT), as pesquisas mais recentes já identificam o descontentamento do eleitor nem nem, que busca um nome para chamar de seu.
Fica mais definida pelas novas pesquisas a existência de três blocos de eleitores: o de Lula, o de Flávio e o da terceira via, em proporções semelhantes. O grande problema é que a terceira via não tem um nome único. Sendo assim, seus votos se dividem entre Caiado (PSD), Zema (Novo) e Renan Santos (Missão), basicamente.
Se a terceira via não conseguir se unificar antes do primeiro turno, certamente o jogo vai permanecer entre Lula e Flávio, sem qualquer outra alternativa. O eleitor não ideológico espera por este sinal, a fim de que a disputa possa ter uma nova dinâmica.
Alguns analistas políticos acreditam que esta eleição ainda será regida pela polarização e será uma espécie de teste de força entre o petismo e o antipetismo. Ou seja, entre aqueles que votam em Lula e aqueles que abominam o PT.
É o tipo de análise que considera o país dividido em dois extremos e não vê o potencial da terceira via. Ou até vê, mas não considera haver tempo hábil para tamanha mudança. Como Lula administra um governo pífio, estes analistas acreditam que, no apito final, Flávio levará a melhor, arrastando parcela expressiva da terceira via, considerando o fator voto útil.
Tanto é que, mesmo diante de tantas informações desfavoráveis a Lula e a Flávio Bolsonaro, ambos lideram na opinião geral, dentro do empate técnico no segundo turno. Isso significaria um eleitor pragmático, que sabe desempenhar sua função, seja defendendo um lado ou o outro.
Há sempre uma esperança de que o início oficial das campanhas traga novos ingredientes e recoloque em discussão essa polaridade extrema. O voto não ideológico é sempre o melhor quando a questão é sensatez. Resta saber se a sensatez está disposta a isso.





