Pelo que dizem os analistas, a próxima semana será um jogo em câmera lenta. Deve haver quase nenhuma mobilidade do eleitorado. Quem vota Lula vai continuar fiel ao seu candidato. O mesmo deve acontecer com Flávio Bolsonaro.
Isso quer dizer que, se a câmera for tão lenta, não haverá tempo suficiente para a virada esperada pelos lulistas. A peça de propaganda mais impactantes para forçar que as cenas ganhem alguma velocidade serão, como sempre, as fake news.
Mas até as fake news são manjadas, e o medo da reeleição de Lula se iguala, na média das pesquisas, ao medo da eleição de Flávio, em pouco mais de 46% para cada lado. Mesmo assim, a rejeição de Lula ainda é um pouco superior, em algo próximo de 0,3%. Veja os números abaixo:
1. Quaest: 53% rejeitam Lula e 54% rejeitam Flávio Bolsonaro — praticamente o mesmo índice.
2. Datafolha, divulgado em 15 de outubro: 46% dizem que não votariam em Lula de jeito nenhum, contra 44% para Flávio.
3. Indexa/Broadcast, divulgado em 15 de outubro: 41% temem um novo mandato de Lula e 41% temem a volta da família Bolsonaro ao poder. Outros 7% temem ambos os cenários.
Nunca se ouviu falar tanto em empate técnico. Empate técnico é um assunto assustador, porque, do nada, pode surgir uma grande surpresa, ou melhor, uma grande diferença. Consideremos uma margem de erro de 2%, por exemplo, como é o caso do Datafolha. Na última pesquisa do dia 15, Flávio apareceu na frente, com 51% dos votos válidos, e Lula, com 49%.
Isso pode significar que Flávio esteja com 53% e Lula, com 47% (vitória de Flávio); pode ser também Flávio com 49% e Lula com 47% (vitória de Flávio). Ou ainda Flávio com 47% e Lula com 51% (vitória de Lula). E Flávio com 47% e Lula com 47% (empate absoluto). Em apenas um caso Lula estaria numericamente à frente, portanto, que é aquela suposição em que tiramos dois pontos de Flávio e acrescentamos 2 pontos para Lula. No caso mais emblemático, seria um empate absoluto nas urnas, com 47% para cada lado.
No último caso, se Lula e Flávio Bolsonaro terminarem o segundo turno com exatamente o mesmo número de votos válidos, Lula será declarado vencedor pelo critério de desempate previsto no artigo 110 do Código Eleitoral, que considera a idade, e o mais velho assume, já que ele nasceu em 27 de outubro de 1945 e Flávio Bolsonaro, em 30 de abril de 1981. Seria um cenário curioso e inédito no país.
Onde estaria, então, o motivador da virada silenciosa para Lula? Ele estaria ocorrendo devido à votação do fim da escala 6X1, no dia 14 de outubro. Não houve ainda uma medição da realidade abrangente depois dessa decisão do Senado. É possível que ela esteja ocorrendo. Não se deve descartar essa possibilidade; no entanto, ela vem no bojo das medidas lulistas que pareciam ter grande impacto junto ao eleitorado que se diz votar em Flávio, mas não teve.
Esta pode ser uma esperança para Lula. A próxima pesquisa Datafolha deve acontecer até, no máximo, sexta-feira (23), para ser publicada na véspera da eleição. Até lá, o que tiver para acontecer já aconteceu. Mas nunca podemos esquecer que o Brasil é um laboratório de surpresas.



