Se não me falha a memória, em 2002, José Dirceu esteve em Piracicaba fazendo campanha para Lula. Em coletiva de imprensa, fiz a ele uma das perguntas mais cretinas da minha vida jornalística: “Quanto tempo o senhor acha que o brasileiro vai levar para descobrir que o PT é um embuste?”
Eu jamais deveria ter feito uma pergunta como aquela. Todos os presentes olharam para mim com estranhamento. O próprio entrevistado ignorou o que eu havia perguntado e tocou em frente com suas lorotas sobre uma suposta mudança de paradigma nacional, com projetos que iam transformar o país.
Como coordenador nacional da campanha petista, Dirceu disputava também uma vaga no Congresso Nacional. O PT tornou-se, então, um partido do poder e começou a construir suas relações internas, que resultaram em esquemas poderosos de corrupção.
Não demorou nem dois anos para o surgimento do primeiro caso envolvendo o governo Lula, com Waldomiro Diniz, Carlinhos Cachoeira e José Dirceu. Tinha a ver com esquemas de jogos e levantamento de recursos paralelos para campanhas eleitorais, conhecidas como Caixa 2. Logo em 2005, Roberto Jefferson desencadeou o famigerado mensalão.
No entanto, nem mesmo a prisão de Lula e de José Dirceu, devido à corrupção descoberta pela consagrada Operação Lava Jato, reduziu o ímpeto dos petistas. Estamos aí com a sétima campanha de Lula para a Presidência da República. José Dirceu disputa novamente o Congresso, com elevadíssimas chances de ser eleito.
O herói do povo brasileiro é um gênio do faroeste caboclo. Ele sabe como ninguém manobrar seu público e transformar um crime em pura perseguição política. Para os petistas, só existe crime quando o acusado é um adversário. Dirceu fez bem em me ignorar em 2002.
Vivemos um novo momento. A vitória de Jair Bolsonaro em 2018 foi um acaso, devido à prisão de Lula. Ele disputou com Haddad, lembram-se? E vencer Haddad é a coisa mais fácil do mundo. Por isso, considero que este ano é derradeiro para o petismo. Tirar Lula do poder será uma demonstração de que a exaustão de fato fez efeito e percebeu-se o embuste que Lula representa.
Mesmo assim, não está sendo uma tarefa fácil, porque o brasileiro se acostumou com Lula e o ajuda até mesmo em suas maiores roubadas. O Brasil tornou-se uma espécie de argamassa para remodelar o embuste petista, transformando-o sempre em case de sucesso.
Recordo a pergunta que eu fiz a José Dirceu em 2002 apenas para construir um enredo para este artigo e mostrar a indignação de quem ainda espera por uma única resposta há 24 anos.





