Terapia Endoscópica a Vácuo amplia opções de tratamento para complicações do sistema digestivo
Procedimento minimamente invasivo acelera a cicatrização de lesões internas, mas ainda é pouco divulgado e restrito a centros especializados no Brasil
Um tratamento relativamente novo no Brasil vem ganhando espaço na medicina para tratar complicações graves do trato digestivo. Trata-se da Terapia Endoscópica a Vácuo, conhecida pela sigla TEV, um procedimento que utiliza pressão negativa para acelerar a cicatrização de lesões internas.
O método é realizado por meio da endoscopia e consiste na colocação de uma pequena esponja no local da lesão, conectada a um sistema de sucção contínua. Esse vácuo ajuda a remover secreções, controlar infecções e estimular a cicatrização dos tecidos.

Segundo o gastroenterologista José Celso Ardengh, professor e médico do serviço de endoscopia do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto Universidade de São Paulo (FMRPUSP) , o tratamento utiliza a endoscopia como instrumento terapêutico. “A endoscopia comum é um exame diagnóstico usado para visualizar o interior do esôfago, do estômago e do intestino, podendo realizar pequenas intervenções. Já a endoscopia a vácuo é um tratamento. Ela usa a endoscopia como meio para aplicar uma terapia específica, que é o vácuo, com o objetivo de fechar feridas ou tratar complicações pós-operatórias”, explica.
A técnica é indicada principalmente para pacientes que apresentam perfurações, fístulas — comunicações anormais entre órgãos — e infecções decorrentes de cirurgias do esôfago, estômago ou intestino.
Vantagens do método
De acordo com o especialista, em muitos casos a terapia pode ser uma alternativa menos invasiva em comparação a procedimentos cirúrgicos tradicionais, com bons resultados clínicos.
O procedimento é realizado com sedação ou anestesia geral, de forma semelhante a uma endoscopia convencional, e não costuma causar dor. Cada sessão dura entre 30 e 60 minutos, dependendo da complexidade do caso. Durante o tratamento, a esponja precisa ser trocada periodicamente até que a lesão esteja completamente cicatrizada.
O tempo de recuperação varia conforme a gravidade do problema, mas muitos pacientes apresentam evolução satisfatória e, em alguns casos, mais rápida do que com tratamentos convencionais.
Apesar de ser utilizado há cerca de duas décadas em diversos países, o método ainda é pouco difundido no Brasil. Atualmente, o procedimento é realizado principalmente em centros especializados e hospitais universitários.
SUS
No Sistema Único de Saúde (SUS), a terapia ainda não está amplamente disponível, principalmente devido à necessidade de equipes treinadas e infraestrutura específica. “É um avanço enorme no tratamento dessas complicações, que até pouco tempo eram muito difíceis de serem tratadas. A técnica permite uma abordagem menos invasiva, eficaz e segura”, afirma o médico.
Especialistas ressaltam que a indicação do procedimento deve sempre ser feita por equipes médicas especializadas, que avaliam cada caso individualmente, considerando benefícios, riscos e possíveis alternativas de tratamento.




