É enfadonho pensar em política no Brasil
O chato são os dogmas políticos. Esses aborrecem, e muito
Tenho amigos aos montes. A maioria sabe do meu jeito esquisito de pensar, mesmo assim, me tolera. Alguns se distanciaram de mim nas últimas eleições presidenciais devido a preferências por este ou aquele candidato. Bobagem. Só que entre um e outro (Lula e Bolsonaro), me escondi de vergonha. Para ser sincero, eu sempre preferi a terceira via. Normalmente, no Brasil, ela é representada por aquele candidato sem chance alguma de vencer o pleito.
Me confundiram com bolsonarista, só porque deixo claro meu lado conservador, como se Bolsonaro tive alguma noção do que é ser conservador. De truculência ele entende, de conflito também, de ideias perturbadas, idem, de bandid... Mas meu lado conservador não tem absolutamente nada de Bolso isso ou Bolso aquilo. Estou cansado de Lula desde 2005, e dos extremos, desde sempre. Quando Lula se tornou inevitável, antevi o inferno. Quando Bolsonaro se tornou inevitável, antevi o inferno. Política no Brasil é o inferno. Antevi o óbvio.
A esquerda derrete meu senso de integridade. A direita brasileira é tudo: autoritária, moralista, rancorosa, corrupta, assim como a esquerda, menos conservadora, no sentido ético do termo.
Muitas vezes eu penso em não votar para mais ninguém. Até que chega a eleição e acabo por me decidir entre a cruz e a espada. Escolho sempre a cruz. Talvez devido à influência do meu próprio sobrenome.
Filosofia?
E olha que não sou religioso o bastante. Meus estudos de filosofia serviram para eu entender ao menos que há uma confluência e uma tensão entre a conversão e a reflexão racional sobre a fé (Eric Voegelin). Não se trata de disputa entre fé e razão, mas de convivência em um ambiente quase mágico, quase religioso, quase místico. Momento quase. Este momento me deixa em paz com o sagrado e com as pessoas de fé. Mas me deixa também em condições de transitar pela lógica e pelo mundo da ciência, com os racionalistas.
Com isso, procuro não me perder em dogmatismos científicos e, ao mesmo tempo, procuro compreender os dogmas das religiões. O chato são os dogmas políticos. Esses aborrecem, e muito.
Os dogmas da ciência, por sua vez, não são poucos também. Um deles é com a verdade. Escrevi na primeira edição da Revista Viletim de Domingo uma coisinha a respeito. O assunto não é simples, além de ser controverso. Quando a filosofia está como pano de fundo da ciência, percebemos que a rede da segunda não abarca todo o conhecimento da primeira e, muito menos, toda a natureza com a qual a ciência tenta dialogar. Verdade, verdade, mesmo, ciência não é nada mais do que um exercício de tentar entender a natureza e tirar desse entendimento material suficiente para se compor algo de útil à sociedade. Desde uma penicilina a um avião bacana.
É fácil confundirmos conhecimento com ciência e ciência com tecnologia. Há sim o conhecimento da ciência, que é outra coisa. O mundo atual é tecnológico, bem como o conhecimento científico para sustentá-lo. Por isso, a facilidade com que as pessoas relacionam o conhecimento (no sentido amplo do termo) com a ciência, porque elas estão pensando na aplicação dos seus saberes para solucionar problemas práticos e não necessariamente em uma verdade superior (Francis Bacon). É o saber instrumental. Mas este é apenas um fragmento do saber. Não quero com isso chatear cientistas.
Quero chatear os políticos e quero de volta meus amigos que fugiram de mim por causa deles.
De volta ao mundo da política
Evidente que vou continuar falando mal de Lula, de Lulinha, de Alexandre de Moraes, de Dias Toffoli, do Gilmar Mendes do Haddad, do... Mas pretendo falar mal também de Flávio Bolsonaro, quando ele acordar dessa fantasia que está sendo se ver como presidente da República. Acho até que a turma dele pensa que vai vencer a eleição distraidamente. O cenário pode ser outro, se não for isso mesmo. No Brasil, quando pensamos em alternativas políticas, nos deparamos sempre com 500 anos de atraso mental. É o pensamento único.
Rui Barbosa morreu velho, mas morreu triste. Triste com um país dominado por certas lideranças que não tem a menor noção de como viver em terra brasilis sem se aproximar do poder por questões de interesse próprio, invariavelmente financeiro. E que faz de tudo para abocanhar sua parte, até se disfarça de presidente da República, de ministro do supremo, de senador, de deputado, de juiz...




