Entre duas cabeças de bacalhau
“Quem quer ir à praia no final de semana de 4 de outubro?”
Análise política não é fácil quando os argumentos estão misturados em múltiplas possibilidades. O fato é que Flávio encostou em Lula, segundo as últimas pesquisas, e nada está decidido.
Como já foi observado pelo site Viletim, o fator Cleitinho (Republicanos), em Minas Gerais, pode causar impacto, uma vez que ele tem chances reais de ganhar logo no primeiro turno.
Como apoiador de Flávio, Cleitinho poderia conseguir muitos votos para o filho de Jair Bolsonaro e complicar a vida de Lula. Mas há quem ache também que essa ideia de transferência de voto é balela.
Assim como Tarcísio de Freitas, em São Paulo, não transfere votos para Flávio, o mesmo acontece em Minas. Tarcísio teria votos para ele mesmo devido ao seu bom desempenho como governador. O eleitorado gostou da sua gestão e quer a continuidade.
Apesar de ser senador, Cleitinho é um fenômeno de redes sociais. Tornou-se muito popular em seu estado, porque o moço sabe como ninguém vender sua imagem. Então, ele teria votos para ele e não para transferir.
Acima de tudo e de todos (risos) está a opinião de Kassab, o vice de Caiado. Ele já deu seu veredito: “Flávio perde para Lula”. Dizem que a palavra de Kassab é matadora. O homem entende de Centrão como ninguém. Inclusive, não escrevi sua fala completa. Segundo ele, “Lula ganha porque o Centrão é Lula”. Isso é fato. Quando Lula encosta no Centrão, sai de baixo. O caixa do governo estremece, se esvazia e a dívida pública vai para os cornos da lua. Tudo dentro da lei, claro.
Mas quem disse que esse ‘descalábrio’ (como diria Brizola) corresponde à transferência de votos? Voltamos ao mesmo ponto. Inclusive porque há uma consolidação até o momento na escolha de cada polo, seja para Lula, seja para Flávio.
O público que tem dúvidas sobre em quem votar, tem preferido, em sua maioria, Flávio. Esse movimento interno é o que turbinou o nome do candidato do PL na última semana. Sem contar que ele também é do Centrão.
Um terceiro fator que aparece na contabilidade dos especialistas é a abstinência, quero dizer, a abstenção. Não poderia ser abstinência pelo simples fato de não existir mais Lei Seca. Mas o índice de abstenção deve ser elevado, segundo as pesquisas, e tende a crescer ainda mais, segundo o indicador Viletim, anotado apenas em um caderno para esta matéria.
Muitos eleitores vão escolher um dia a mais na praia a ter que decidir entre duas cabeças de bacalhau (nem vou me corrigir).
Dizem que a abstenção pode prejudicar Lula. Mas pode também prejudicar Flávio. Tudo depende da consciência do eleitor. O eleitorado do candidato que estiver mais centrado no processo e for às urnas em maior peso, levará vantagem.
A pergunta que fica ao fim e ao cabo é a seguinte: “Quem quer ir à praia no final de semana de 4 de outubro?”




