A última semana antes da eleição para presidente da República será uma antecipação do Halloween. Como diria o ditado espanhol, que reelaboro, é o período em que se afirma não acreditar em bruxas, mas na certeza de que elas existem.
A teoria da conspiração, bruxuleante, está sempre presente quando a realidade não condiz com o pensamento dos convictos. Convicção que varia a depender do lado em que o eleitor esteja. Alguma coisa parece acontecer nos bastidores quando a expectativa dos extremistas é frustrada.
Para ser mais claro, se Lula ganhar, os bolsonaristas ideológicos vão alegar que as urnas foram manipuladas, o que não é um pensamento novo. Se os bolsonaristas vencerem, os petistas ideológicos terão certamente alguma tese esquisita para tirar da cartola. Eles precisarão de conforto.
Para o eleitor moderado, tudo é possível em um cenário de disputa entre dois candidatos, sendo que um deles receberá o passaporte para adentrar o portal do inferno, de Dante. Não como Dante ou Virgílio, claro, mas como alma penada. Desculpe pela mudança da cenografia.
Esta será, portanto, uma eleição que parece trazer em sua monumental arquitetura caótica uma frase para lá de manjada, inscrita em um portal dantesco, de incertezas mil: “Deixai toda esperança, ó vós que entrais.”
Para Lula, se eleito, a pena será tornar-se honesto e sensato, pelo menos nos próximos quatro anos, o que pode representar uma tortura diante de tudo o que terá de fazer para salvar sua biografia e a dos seus.
No caso de Flávio, sua eleição está vinculada à necessidade de superar a imagem de um autoritário que transita com desenvoltura nas vielas escuras das ideologias e da corrupção.
Virgílio ri. Dante não acredita no imponderável. Esta coluna sonha com um amanhã menos desastroso do que tem sido a história contemporânea do Brasil. Estamos entre o riso e o imponderável.





