Esalq realiza pesquisas de agricultura espacial com testes em microgravidade
Estudo envolve pesquisadores do Brasil, Itália e Angola, a partir da investigação do comportamento de culturas como batata-doce, cará e grão-de-bico
Prof. Paulo Rodrigues e Prof. Adérito Cunha (crédito: Gerhard Waller)
Um projeto envolvendo pesquisadores da Itália, Angola e Brasil promete ampliar resultados de pesquisas em agricultura espacial. A iniciativa investiga o comportamento de culturas como batata-doce, cará e grão-de-bico em condições simuladas de microgravidade, com foco no desenvolvimento de soluções inovadoras para a agricultura terrestre diante das mudanças climáticas.
As atividades integram o projeto de cooperação triangular “Agricultura Espacial como Motor Estratégico de Inovação para Gerar Soluções Aplicáveis à Agricultura Terrestre Diante das Mudanças Climáticas”, com ações desenvolvidas no Laboratório de Microgravidade Vegetal da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq/USP). O projeto conta com financiamento do Ministério das Relações Exteriores e da Cooperação Internacional da Itália (MAECI) e é promovido pela Organização Ítalo-Latino-Americana Internacional (IILA).
“A iniciativa investiga o comportamento de culturas como batata-doce, cará e grão-de-bico em condições simuladas de microgravidade, com foco no desenvolvimento de soluções inovadoras para a agricultura terrestre diante das mudanças climáticas”, conta o professor Paulo Hercílio Viegas Rodrigues, do departamento de Produção Vegetal da Esalq.
Nesta etapa, os pesquisadores deram início à segunda repetição do experimento de germinação de sementes de grão-de-bico em microgravidade simulada por clinorrotação, além da preparação dos meios de cultivo para testes com batata-doce e cará. O meio de cultura utilizado é o MS básico, desenvolvido pelo pesquisador angolano Adérito Tomás Pais da Cunha, destinado à introdução de estacas assépticas de batata-doce da cultivar Anambé, da EMBRAPA, e de uma cultivar de cará, da própria Esalq.
Na próxima etapa, está prevista a inoculação dos materiais vegetais e a instalação do experimento em um sistema CubeSat 2U, que permitirá avaliar o desenvolvimento das plantas sob diferentes espectros de luz LED em condições controladas.
Segundo os pesquisadores, o estudo representa o primeiro passo de uma agenda científica que utiliza o ambiente espacial como laboratório para gerar conhecimento aplicável à Terra. A comparação entre plantas cultivadas em microgravidade simulada e em condições normais permitirá compreender os efeitos dessa variável nos estágios iniciais de desenvolvimento vegetal, abrindo caminho para novas técnicas agrícolas.
O projeto também conta com a participação do Instituto Superior Politécnico da Cuanza Sul, em Angola, e integra um esforço internacional voltado à segurança alimentar, adaptação às mudanças climáticas e promoção do desenvolvimento sustentável. “Por meio do modelo de cooperação triangular, a iniciativa fortalece a troca de conhecimentos entre Europa, América Latina e África, incentivando a formação de novas capacidades científicas e tecnológicas”, complementa o professor da Esalq.
A expectativa é que os resultados contribuam não apenas para o avanço da agricultura espacial, mas também para a criação de soluções inovadoras capazes de aumentar a resiliência dos sistemas agrícolas terrestres.




