Escala 6X1: Depois a gente vê no que dá
Primeira Hora: o resultado, segundo os especialistas, será um empobrecimento ainda maior da sociedade, vistos os impactos econômicos no horizonte
O jornalista William Waack escreveu hoje (28) um artigo sucinto e preciso sobre o que está se dando com a PEC que acaba com a escala 6X1, que a Câmara dos Deputados aprovou na noite de ontem e agora vai para o Senado.
“O Brasil tem como características centrais alta informalidade, baixa produtividade, judicialização extrema das relações capital-trabalho, leis trabalhistas brigando com os avanços da tecnologia, formação de capital humano deficiente que se traduz em mão de obra cara e em geral de baixa qualificação”.
A precisão do apontamento é estarrecedora. Mas há outro aspecto que Waack elenca e que compõe a loucura do governo Lula: transformar o mundo do trabalho em uma guerra entre senhores e escravos. Uma tese ao gosto do populismo petista, que não passaria por qualquer escrutínio lógico.
No entanto, por se tratar de uma decisão com alto potencial de voto, pela sua aparente amplitude romântica, está sendo tratorada de forma assustadora e voraz pelos políticos, sem qualquer discussão mais sensata. Tudo pelo voto.
No artigo, Waack traz a opinião do economista José Pastore, que aponta para um “desastre social” que se vislumbra, pela “irresponsabilidade da decisão”, que tende a piorar ainda mais do que já é o ambiente produtivo.
O resultado, segundo os especialistas, será um empobrecimento ainda maior da sociedade, vistos os impactos econômicos no horizonte. Resultado que vai na contramão do que o governo pretende. Está sendo aprovada uma ilusão de ótica, que o mundo político é incapaz de perceber. Ou melhor, que o mundo político faz questão de não enxergar.
Este é o tipo de cegueira que pode trazer consequências graves, em um país em que o capital humano é visto apenas como voto por Brasília. Para votar no PT, quanto menos capacitado, melhor. A produtividade vai ser sempre a mesma: eleger Lula. O resto, diz o jargão da esquerda, a gente vê depois.





