o neurocirurgião Marcelo Senna, da Santa Casa de Piracicaba
A esclerose múltipla já foi vista como uma doença inevitavelmente incapacitante. Durante muito tempo, receber esse diagnóstico significava conviver com limitações progressivas e perda da independência. Hoje, essa realidade mudou.
Nas últimas décadas, os avanços no conhecimento científico, no diagnóstico e, principalmente, no desenvolvimento de novas terapias transformaram a forma de enfrentar a doença. Atualmente, milhares de pessoas com esclerose múltipla estudam, trabalham, constituem família, praticam atividades físicas e mantêm uma vida ativa graças ao acompanhamento especializado e ao tratamento adequado.
Durante o Agosto Laranja, campanha dedicada à conscientização sobre a esclerose múltipla, a Santa Casa de Piracicaba reforça que, embora ainda não exista cura, a doença pode ser controlada em grande parte dos casos.
Segundo o neurocirurgião Marcelo Senna (CRM-SP 81.673), a esclerose múltipla é uma doença autoimune que acomete o sistema nervoso central. O sistema imunológico passa a atacar a mielina, camada que protege as fibras nervosas e facilita a transmissão dos estímulos entre o cérebro e o corpo.
“A evolução do tratamento modificou completamente a perspectiva dos pacientes. Hoje dispomos de medicamentos muito mais eficazes para controlar a atividade da doença, reduzir os surtos e preservar as funções neurológicas por mais tempo”, afirma.
O especialista explica que a doença pode se manifestar de maneiras diferentes em cada pessoa. Alterações visuais, perda de força, formigamentos, dormência, dificuldade de equilíbrio, fadiga intensa e alterações na coordenação motora estão entre os sintomas mais frequentes.
Além dos medicamentos, o tratamento envolve uma equipe multiprofissional formada por neurologistas, neurocirurgiões, fisioterapeutas, terapeutas ocupacionais, psicólogos, fonoaudiólogos, educadores físicos e outros profissionais, com o objetivo de preservar a capacidade funcional e a qualidade de vida.
“Nosso objetivo hoje não é apenas controlar a doença, mas permitir que a pessoa continue vivendo plenamente. Quanto mais cedo o tratamento é iniciado e maior a adesão às orientações médicas, melhores são as chances de manter autonomia e participação nas atividades do dia a dia”, destaca.
Outro desafio é combater o preconceito. Embora algumas pessoas apresentem limitações, muitas convivem com a esclerose múltipla durante anos sem perder a capacidade de trabalhar, estudar, praticar esportes ou desenvolver seus projetos de vida.
“A informação ajuda a combater preconceitos. A esclerose múltipla não define quem a pessoa é nem determina seu futuro. Cada paciente tem uma trajetória própria e, felizmente, hoje contamos com recursos que permitem resultados muito melhores do que observávamos há alguns anos”, conclui.




