Escreva 10 vezes 'vergonha'
“A lei sou eu”, parafraseando Luís XIV sobre o Estado; esta frase calha muito bem para ser impressa no para-choque do caminhão de Xandão, com rima e tudo.
Devo ou não escrever uma fake news sobre Alexandre de Moraes? Ai, que preguiça. Não, ganhei força e vou escrever só a verdade. O homem é forte e corajoso, para não dizer destemido. Não se curva a nada que possa enquadrá-lo como criminoso e age à revelia da lei. “A lei sou eu”, parafraseando Luís XIV sobre o Estado. Esta frase calha muito bem para ser impressa no para-choque do caminhão do Xandão, com rima e tudo.
O vingador do futuro quer saber sobre o passado recente. Não tem vergonha de tentar enquadrar todos aqueles que abriram as informações da Receita sobre sua excelentíssima mulher, a pura, que jamais esteve envolvida em falcatruas de qualquer natureza. O que são R$ 129 milhões para um trabalho tão nobre que executava em parceria com o marido?
Se eu fosse filho de Moraes, perguntaria ao papai à queima-roupa: “O senhor não vai prender a mamãe, já que tenta prender todo mundo por suspeita de algum crime que possa o incriminar?” Sabedor do futuro, ele provavelmente responderia: “Uma delação dessa mulher e esta família iria ao espaço.” Se é que já não foi.
O homem é valente, mas sabe onde esteve no verão passado. Talvez o desgaste diante da opinião pública vá levando o pouco que lhe resta de resistência e ele decida um dia se trancar no manicômio (by Machado de Assis) ao invés de continuar condenando todos aqueles que lhe apontam as falcatruas nas quais esteve envolvido.
Se Moraes fosse britânico, canadense ou até australiano, já teria renunciado ao seu posto. Mas não nasceu para canguru, muito menos lorde inglês. Talvez tenha nascido mesmo para ser gangster à brasileira. Qual seria o título do filme sobre Alexandre de Moraes?
‘O homem que roubou a água benta’ que não seria. ‘Nu diante de um batom’. Gostei. ‘O último filho de Orestes Quércia’, que tal? Eu estaria sendo muito desonesto com o ex-prefeito de São Paulo? ‘Um impostor que já nasceu feito’. Isso é muito machadiano. Vamos pensar melhor.
Se eu fosse a professorinha de Moraes recordaria o dia em que ele teria que escrever no papel pautado a palavra ‘vergonha’ 10 vezes. Ela apareceria no Fantástico ao 100 anos e deixaria claro que cumpriu a sua missão, mesmo tendo sido inútil. E morreria em paz.
Moraes precisa agora convencer a torcida do Corinthians de que vai até o fundo com sua integridade moral, uma vez que, todos pregam lá na Neo Química, um juiz do Palmeiras jamais marcaria o próprio pênalti. O magistrado é ‘parmerense’. Antes, peço perdão à torcida alviverde, que não merece ler uma coisa dessa.
Ao fim e ao cabo, vamos arrastando essa onda. Com diz o ditado popular, ‘água mole em pedra dura, tanto bate até que fura’. Eu gosto de ditado popular. São a sabedoria em capsulas. Moraes sabe o porquê está apanhando, mesmo que não tenhamos ainda toda a clareza sobre a nossa vontade de ajoelhá-lo ao milho (isso é Nelson Rodrigues). Lombroso diria que Moraes tem cara de que foi coroinha e só cumpria o ofício para ficar mais próximo dos donativos dos fiéis.




