Espaço é estratégico
e retorna benefícios sociais, como já perceberam Índia, Nigéria, Egito

“Mas por que não investem esse dinheiro na Terra?”
Estima-se hoje que a cada R$ 1 investido em tecnologia espacial - foguetes, satélites, sistemas de monitoramento, bases de lançamento etc. , retornem entre R$ 10 e R$ 20 para a economia do País, seja na forma de salários, de impostos, de faturamento, ou de crescimento de valor agregado das empresas.
Por isso, investir em tecnologias espaciais não é só coisa de ficção científica. Falarmos sobre o setor aeroespacial não é fantasia, e deixou de ser coisa do Sr. Spock faz tempo. Desde, é claro, que não haja corrupção, como mostrado no artigo do Viletim publicado ontem (12).
Embora este projeto chinês pareça “Star Wars”
A China anunciou projeto de uma espécie de “porta-aviões espacial”, na terça-feira, 03 de fevereiro último. Mais propriamente uma “nave espacial de guerra”, batizada de “Luanniao“. A nave (se for mesmo construída) terá 242 metros de comprimento, 684 metros de largura e um peso estimado de 120 mil toneladas. A intenção é lançar caças não-tripulados e mísseis hipersônicos da órbita terrestre sobre alvos em terra.
Sem pagar direitos autorais
A arte de conceito, divulgada na internet, foi comparada a naves dos filmes da franquia “Star Wars”. Sabe-se que hoje é muito fácil fazer uma imagem dessas num aplicativo de IA. Incluindo IA’s chinesas, como o Deep Seek e a Manus AI.
Propaganda ou ameaça
Resta saber se a divulgação é estratégia de jogar verde para colher maduro, um tipo de ameaça típica lá dos anos de Guerra Fria entre EUA e URSS. Ou quem sabe, é propaganda interna, para consumo interno do “Reino do Meio”.
Foguete chinês também voa de ré
Na quarta-feira (11), a China alcançou um estágio importante na corrida espacial contra os EUA: o sistema de foguetes Mengzhou, que “dão marcha à ré”, teve êxito pela primeira vez, pousando numa plataforma marítima no litoral chinês.

Nada se cria, mas só o que é bom se copia
O sistema foi copiado da SpaceX, empresa de Elon Musk. Que há muitos anos desenvolve o pouso VTOL com foguetes de retropropulsão, nome técnico da manobra. Ele possibilita o retorno de estágios de foguete, que podem ser reutilizados.
Antes de se provar viável, era motivo de piada e se dizia que “foguete não dá marcha a ré”. Hoje dá, e virou rotina – somente na SpaceX, mas é fato. A empresa tornou obsoletos os foguetes não-reutilizáveis e barateou o custo do envio de cargas e astronautas para órbitas baixas, de 160km a 2.000km de altitude. Os chineses, que não são bobos nem nada, vão copiar mais esta, para também economizarem.
E a Rússia, nada, ou melhor, não voa
Os russos, que há 60 anos realizam lançamentos espaciais na base espacial de Baikonur, sofreram um revés muito grande em novembro de 2025: parte da plataforma onde se realizam os lançamentos para a Estação Espacial Internacional (ISS), assim como qualquer outra missão tripulada, explodiu após ter sido mal-fixada, comprometendo a infraestrutura russa de uma forma devastadora.
Ironia
Até 2012, os EUA eram dependentes dos lançamentos das naves Soyuz, uma tecnologia robusta e confiável, única opção depois do fim do programa dos Ônibus Espaciais. Agora, com a explosão em Baikonur, a situação inverte-se: a Rússia, se quiser mandar cosmonautas (como os russos chamam astronautas) para a ISS (da qual é proprietária de uma parte), depende totalmente da SpaceX, única empresa com naves disponíveis para esta viagem, em todo mundo.
Única não
Falando bem a verdade, a SpaceX não é a única alternativa, mas provavelmente é a única viável: os chineses possuem a Shenzhou, nave reutilizável, como a Crew Dragon (da SpaceX) e a Soyuz (da Roscosmos russa, fora de operação). Mas somente taikonautas (como os chineses chamam astronautas) a utilizam, para transporte à estação espacial Tiangong, uma das únicas estações em órbita no momento, fora a ISS. É pouco provável que a China queira dar carona para os cosmonautas, mesmo que a Rússia pague pelas passagens.
Ônibus espaciais
Os “space shuttles” (“lançadores espaciais”, em tradução literal) ainda existem. O nome em português do Brasil, “ônibus espacial” engana, pois essas naves não tinham quase nada de ônibus. Talvez, por sua capacidade de passageiros ter sido um pouco maior que a das naves Apollo, que levaram astronautas à Lua. Muitos se lembram do Columbia, Atlantis e Discovery, mas quase ninguém ouviu falar do X-37B, da Força Espacial dos EUA, que está em plena operação, em 2026.

Guerra secreta
O avião espacial ou shuttle X-37B foi desenvolvido pela Boeing e é impulsionado por foguetes Falcon Heavy da SpaceX. Ficou durante um ano inteiro em órbita, de 2024 a 2025. Sem tripulantes, é totalmente operada à distância, o que a torna uma nave robô. Passou esse tempo todo em órbita esenvolvendo atividades secretas que, certamente, estão ligadas a equipamentos militares, e talvez, táticas de guerra a partir da órbita terrestre.
Entende-se, então, o porquê do anúncio da China, citado no início deste artigo. Provavelmente a estação espacial chinesa tenha os mesmos propósitos secretos.




