Donald Trump, do Partido Republicano, está perdendo força, com a derrota eleitoral na Câmara e no Senado. Trata-se de um movimento que vinha sendo percebido pelos analistas, mas acreditava-se que, ao menos no Senado, ele manteria sua base de apoio. Nem isso ele conseguiu e terá que aprender a conviver com os Democratas no seu encalço.
Não será fácil para um homem que sempre se achou acima da lei e dos seus opositores ter que negociar para levar adiante seus projetos mirabolantes. A eleição, portanto, servirá, no mínimo, como um colchão contra movimentos abruptos do presidente. Ou até mesmo como uma válvula de contenção de suas ideias atravessadas.
Conversei com várias pessoas que confundiam os EUA com as ideias de Trump, como se tudo o que ele estava fazendo fosse parte do entendimento de mundo dos americanos. Mas não é. Os EUA é um país democrático. A prova está aí. Essas eleições mostraram a diversidade de pensamento dos eleitores que foram às urnas para eleger também governadores. Eles estão cansados do estilo Trump de governar o país.
No que diz respeito ao Brasil, resta saber o quanto Trump terá a intenção de esticar a corda com tarifaços e outras retaliações, uma vez que, nas relações internacionais, ele ainda terá muitas possibilidades para agir sem ter que pedir licença a ninguém. Mesmo as guerras do Irã e da Ucrânia estarão sob sua estrita decisão de como atuar, desde que não precise mobilizar novos recursos.
A oposição terá, sim, caminhos para tentar contê-lo, dentro da legalidade e da diplomacia. Espera-se, no entanto, que os novos congressistas não se percam no entendimento sobre o que acontece para além de suas fronteiras. Colaborar ou não com armas e financiamentos para que a Ucrânia se proteja do destemido Putin? Impor ou não novas sanções ao ditador russo? Estas serão algumas das prerrogativas do novo Congresso que se anuncia.
Nesse sentido, os Democratas terão que pensar nas relações dos EUA com a Europa. Teses isolacionistas, se forem a tônica da escalada oposicionista, podem piorar muito o diálogo com os países da OTAN e dar razão às teses trumpistas. Com isso, a força americana perderá sua importância no quesito segurança global, oferecendo a Putin o que ele mais deseja: liberdade para dominar o país vizinho.
A escalada de Putin, por sua vez, fragiliza toda a Europa. Não é essa a visão que se espera do novo Congresso com a derrota legislativa de Trump. O espírito imperialista do presidente americano precisa ser aplacado, sim, bem como seus desvarios imperialistas. Mas tal contenção não pode significar cegueira em relação às pretensões do carniceiro de Moscou. As negociações de Trump com Putin, essas, sim, precisam ser devidamente controladas de perto.




