Exportações do Agronegócio de SP para a União Europeia crescem em 2025
Acordo comercial Mercosul–União Europeia gera expectativa de crescimento ainda maior em 2026

As exportações do agronegócio para a União Europeia representaram o segundo maior volume do estado no setor, em 2025. O volume total do ano representa um aumento de 5% em relação às exportações feitas em 2024. Para o ano de 2026 a expectativa é que os números cresçam ainda mais, com o Acordo comercial firmado entre Mercosul e o bloco europeu, assinado no último dia 17/01.
Mesmo com o tarifaço imposto pelo EUA, no segundo semestre de 2025, o agronegócio paulista registrou desempenho robusto no acumulado do ano, tendo gerado um superávit de US$ 23 bilhões. As exportações totais do setor somaram US$ 28,82 bilhões, sendo que as transações para os países da União Europeia somado US$ 4,14 bilhões, o que coloca o bloco em 2.o lugar nos maiores destino das exportações.
O bloco europeu responde por 14,4% das exportações do setor, ficando atrás apenas da China, que concentra 23,9% do total embarcado.
Os dados foram levantados pela Diretoria de Pesquisa do Agronegócios (APTA) da Secretaria Estadual de Agricultura e Abastecimento de SP.
Infraestrutura logística
Os Países Baixos (conhecidos popularmente como Holanda) foram a principal porta de entrada no continente europeu dos produtos do agronegócio paulista no ano passado. O país tem papel relevante na logística de distribuição. Em 2025, mais de 1 milhão de toneladas de produtos do agro paulista foram exportadas para o país, movimentando aproximadamente US$ 1,3 bilhão.
Os principais itens exportados para os Países Baixos foram suco (300 mil toneladas), celulose (236 mil toneladas) e produtos do complexo sucroalcooleiro (143 mil toneladas).
As frutas brasileiras tem demanda global elevada, e os Países Baixos exercem função logística estratégica na distribuição para muitos países, especialmente Alemanha, Reino Unido, França e nações nórdicas. Como são mercados que que valorizam a qualidade, esta exigência permite ao produtor brasileiro agregar valor e conseguir a venda por preços mais compensadores.
Diversas empresas e cooperativas paulistas utilizam esse corredor logístico para expandir sua presença internacional. Fundada em 2012, a Cooperativa Agroindustrial APPC, localizada em Pilar do Sul, no interior do estado, comercializa produtos como caqui Fuyu e Rama Forte, reconhecidos pela elevada qualidade, padronização, rastreabilidade e conformidade com rigorosos protocolos fitossanitários e de sustentabilidade. Os produtos da APPC são distribuídos na Europa principalmente através do Porto de Roterdã.
O aumento nas exportações é esperado com a formalização do acordo de livre comércio entre a União Europeia e o Mercosul, aprovado recentemente pelos países europeus, em reunião realizada no dia 9 de janeiro de 2025, em Bruxelas. A assinatura ocorreu no último dia 17, no Paraguai, pela presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen.
O governo do estado de São Paulo possui relações diretas com o governo dos Países Baixo, com diálogo permanente sobre as relações comerciais e com plano estratégico traçado em parceria, que prevê também coooperação técnica, intercâmbio de tecnologias e atração de investimentos.
A conselheira agrícola da Embaixada dos Países Baixos no Brasil, Inge Horstmeier, reforçou a importância de São Paulo para o mercado europeu. “O estado é estratégico por produzir derivados de soja, frutas cítricas, açúcar, café, carnes e matérias-primas para bioenergia. Os Países Baixos são um importante importador, com elevados padrões de qualidade, sustentabilidade e rastreabilidade, valores essenciais tanto para a União Europeia quanto para o nosso país”, afirmou.


