
Para preservar, registrar e compartilhar a memória da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq), no campus da USP em Piracicaba, a comunidade acadêmica esteve reunida na manhã de 7 de outubro, em uma cerimônia no icônico Edifício Central da escola. O ato celebrou os 125 anos da Esalq e marcou a inauguração da exposição Pioneiros e Empreendedores: a saga do desenvolvimento no Brasil, em cartaz na Biblioteca Dina Bueno Moretti. A mostra já percorreu cinco cidades e é resultado de um projeto com mais de duas décadas, fruto das pesquisas desenvolvidas pelo ex-reitor da USP e professor da Faculdade de Economia, Administração, Contabilidade e Atuária (FEA), Jacques Marcovitch.
Antes da abertura oficial da exposição, Marcovitch coordenou o seminário Preservação da memória dos pioneiros e a construção do futuro, que relembrou a importância de personagens empreendedores da história da Esalq, incluindo o casal Luiz de Queiroz e Ermelinda Ottoni de Souza Queiroz, idealizadores da unidade.
Na abertura do seminário, a vice-reitora da USP, Liedi Bernucci, falou sobre o perfil visionário dos personagens destacados na exposição:
“São pessoas que deixaram um legado que mudou o nosso presente e que reforçam o papel da Universidade em formar profissionais preparados para empreender e direcionar o nosso futuro. Empreender e inovar como fizeram os personagens retratados nessa exposição permite compreender qual é nosso compromisso, hoje, diante de tanto conhecimento disponível e aberto a todos. Educar para o futuro, formar e informar de forma correta e sólida permite olhar para o passado e não reproduzir os mesmos erros”.
Além do casal Luiz e Ermelinda Queiroz, são reportados na exposição personagens como Dorina de Gouvêa Nowill, Irmã Dulce, Irineu Evangelista de Souza (o Visconde de Mauá), Nise da Silveira Ramos de Azevedo, João Gerdau, entre outros.
“Não podemos construir o futuro sem entender nossa história e o que a trajetória dessas pessoas que trabalharam para construir o nosso presente nos ensina. O legado que hoje a Esalq está preservando e recebendo com essa exposição reforça o seu papel importante de formar pessoas e produzir pesquisas de ponta que chegam até a sociedade”, complementou a vice-reitora.
Para a diretora da Esalq, Thais Vieira, a exposição é uma inspiração para todos: “Receber essa exposição durante a celebração do nosso Jubileu Secular de Prata permite refletir que o mundo sempre esteve em transformação e que a coragem de assumir riscos diante dos desafios fez desses personagens pioneiros e empreendedores. Fazendo um exercício para os dias atuais, as mudanças climáticas e a chegada da inteligência artificial nos desafiam a utilizar as informações de forma consciente e exigem a mesma resiliência daqueles pioneiros do início do século passado”.
Também estiveram presentes à abertura da exposição a diretora da Faculdade de Direito (FD) da USP, Ana Elisa Bechara; o diretor da FEA, João Maurício Gama Boaventura; e o secretário municipal de Agricultura e Abastecimento de Piracicaba, Mauricio Perissinoto.
“A história da Esalq guarda tradição e uma missão que o tempo só fez valorizar. O casal Queiroz apostou no conhecimento, e isso foi um gesto ousado para a época. Eles apostaram nas gerações futuras, e a história dos pioneiros é a história de quem pensou em construir o futuro da agricultura, por exemplo. E, nesse contexto, a Esalq saberá responder ao chamado de hoje, que exige produzir e preservar, dialogando com outras áreas e considerando o interesse público”, declarou a dirigente da Faculdade de Direito.
Ao longo da sua história, a Esalq já formou mais de 18 mil profissionais e titulou mais de 12 mil mestres e doutores que, após a formação, levam seu conhecimento para o campo. Mauricio Perissinoto destacou a relação entre a Esalq e a cidade de Piracicaba, em especial na área de extensão universitária. “Desde que me formei na Esalq, em 2001, percebemos como a Universidade intensificou seu olhar para a extensão rural. Hoje, temos muitos projetos em parceria do município com a Esalq e percebemos a empolgação dos estudantes que desenvolvem projetos em escolas, em propriedades rurais e têm o contato direto com o produtor”, disse Perissinoto.
Ao final da cerimônia de abertura da exposição, a vice-reitora da USP recebeu um cristal alusivo aos 125 anos da Esalq. Na sequência, Jacques Marcovitch traçou o panorama Do século 19 ao século 21: rupturas e transições, e a historiadora piracicabana Marly Perecin falou sobre a Vida e obra de Luiz e Ermelinda de Souza Queiroz.
História
Após o seminário e a abertura da exposição, ocorreu uma sessão de lançamentos dos projetos que reforçam a valorização da história da Esalq. Apresentar a exposição Pioneiros & Empreendedores e explicar a dinâmica do projeto foi responsabilidade do docente da FEA, Alexandre Saes. Em seguida, o egresso da Esalq e um dos idealizadores do Portal Luiz de Queiroz, Paulo José K. Franco Neto, apresentou o projeto que consiste na maior pesquisa, digitalização, catalogação e organização de documentos já realizada sobre a escola (a iniciativa pode ser acessada neste site).
Finalmente, a chefe da Divisão de Biblioteca da Esalq, Thais de Moraes, apresentou o livro Esalq, 125 anos de contribuições para o desenvolvimento do Brasil. Disponível no Portal de Livros Abertos da USP, a obra está organizada em ordem cronológica inversa, iniciando-se pelo tempo presente e avançando progressivamente em direção aos primórdios da escola (clique aqui e acesse o livro).
Mobilidade no campus
Após a inauguração da exposição, a vice-reitora da USP participou de um encontro na Prefeitura do Campus Luiz de Queiroz, em agenda dedicada à apresentação e discussão do Projeto de Mobilidade Sustentável do campus.
A programação contou com a participação do Gabinete da Prefeitura, liderado pelo prefeito do campus, Luciano Mendes, e pela vice-prefeita, Maria Victoria Ramos Ballester, além das Diretorias da Esalq e do Centro de Energia Nuclear na Agricultura (Cena). Durante a reunião, foram apresentadas propostas e perspectivas para o aprimoramento da mobilidade no campus, em torno de soluções voltadas à segurança, à acessibilidade, à sustentabilidade e à qualidade dos espaços de circulação.
Matéria: Caio Albuquerque | Jornal da USP.




