Não é fácil fazer um balanço sobre o que aconteceu no STF durante os últimos dias. Talvez seja mais fácil fazer uma gangorra. Porque foi um tal de sobe e desce de decisões que deixou atordoado o espectador, como se ele estivesse brincando de gira-gira.
Não vamos novamente pensar em um parque de diversões, porque os únicos que se divertem ali são Gilmar Mendes, Alexandre de Moraes e Flávio Dino. Cristiano Zanin até que tenta, mas ele tem um olhar tão preso que parece estar em uma cadeia de festa junina, sem ninguém para tirá-lo de lá.
Em uma cadeia de festa junina, parece estar também Cármen Lúcia, que nunca saiu do seu ostracismo intelectual, uma vez que ela acha que o Brasil é composto por mais de 200 milhões de tiranos. Ela própria disse isso. Ou Carmem não se olha no espelho, achando-se a sedutora bailarina de Bizet, o que é improvável, ou ela se sente sempre com o visual de quem vai para uma festa de Halloween. Suponho, de fato, que ela nunca tenha lido Millôr Fernandes.
O Guru do Méier (pode chamá-lo também de Bruxo do Méier) dizia que 9 entre 10 estrelas de Hollywood usavam Lux de Luxo, quando o sabonete era a sensação dos comerciais de TV. A décima era fedidinha. Cármem Lúcia é a décima do Supremo. Seus pensamentos precisam de uma boa ducha.
André Mendonça tenta fazer de conta que apenas observa a fogueira queimando, ao lado de Edson Fachin. Mas não é bem isso. No fundo, no fundo, eles sentem que o clima está ficando cada vez mais quente e o pega-pega já começou. Quem fica parado é poste. E a cachorrada está louca para erguer as perninhas para o seu lado.
É corre para cá, é corre para lá. No STF, a jurisprudência é igual a truco mineiro. Cada grupo tem sua regra. Se o paulista chegar de bobeira no Sul do estado, perde todas as jogadas, mesmo estando com o zap nas mãos. Se apostar um maço de cigarro, certifique-se de que é apenas um mesmo, porque pode ser um para cada adversário na mesa. É regra mineira, que você só fica sabendo depois da derrota certa.
Lembre-se de que Edson Fachin é gaúcho de Rondinha. Com essa origem, não se deve esperar dele muita dureza. Ficaremos todos surpresos se ele conseguir dobrar os colegas e fazer a famigerada sessão na semana que vem (15). Se fosse para ferrar um inimigo, a máfia reunida leria o processo em questão em uma noite, com mil páginas que fosse. Mas como é um dos seus que está com a rondinha exposta, a leitura ficou muito complexa. Parece até que estão diante da Fenomenologia do Espírito, de G. W Friedrich Hegel.
O vovô Fachin vai se render aos seus meninos? Ou terá uma postura severa, capaz de fazer as coisas acontecerem no STF? Eu acho que Fachin perde. Moraes, que logo-logo vai se vestir de anjo para fazer a cena do presépio, com Gilmar Mendes de José, acha que o maior culpado da sua relação com Daniel Vorcaro é André Mendonça. Sim, André, ao ter acesso às gravações da Polícia Federal – onde estão as conversas de Moraes com o banqueiro safadinho, em que são registradas as tratativas para um contratinho de R$ 131 milhões para o escritório de advocacia de Viviane Barci, a mulher do ministro - fez nascer um crime que nunca existiu ou que estava quietinho em seu lugar.
Moraes cresceu tanto na panela que está se achando. Como o maior gangster do país, pensa que o Supremo ainda não se superou e pode se tornar uma referência mundial. Esquece China. Esquece Cuba. Esquece Rússia. Esquece todas as suas referências de lugares inabitáveis. O lugar mais terrível do mundo se chama Supremo Tribunal Federal. Sem soltar um tiro sequer, Moraes será capaz de decretar a falência moral de um país.



