Michael Sullivan
Ivanilton de Souza Lima, o Michael Sullivan, antes de se transformar no maior compositor de hits do pop/infantil brasileiro em dupla com Paulo Massadas - criadores de sucessos de Xuxa, Balão Mágico, Tim Maia e Roupa Nova - era vocalista do grupo Renato e Seus Blue Caps.
Ao compor a romântica “My Life”, a gravadora o obrigou a adotar um nome gringo. Ele abriu a lista telefônica de Nova York, apontou o dedo e escolheu o nome Michael Sullivan. A música virou um estrondo nacional ao entrar na trilha da novela O Casarão (1976).
Richard Young
Ricardo Feghali, o tecladista e violonista do grupo Roupa Nova também teve seu momento como artista solo internacional. Usando o nome artístico de Richard Young, ele compôs e cantou a balada “Rainy Day”, que foi embalada diretamente na trilha sonora da novela Locomotivas em 1977.
Steve MacLean
Hélio Costa Manso era integrante da banda paulista Sunday e um produtor refinado. Sob o pseudônimo de Steve MacLean, ele emplacou a faixa “True Love” em 1975, que foi o tema principal de abertura da novela O Grito.
Bandas que fingiam ser gringas:
Pholhas e Light Reflections
Se os artistas-solo faziam sucesso, as bandas de rock e pop romântico que fingiam ser internacionais eram verdadeiras máquinas de vender discos.
Pholhas:
Os “falsos ingleses” da Zona Leste de SP
Formada em São Paulo, a banda Pholhas estourou em 1973 com o álbum Dead Faces. O sucesso foi tão avassalador que eles chegaram a rivalizar em vendas de discos com o próprio Roberto Carlos.
Engraçado é que nenhum dos integrantes dominava o idioma inglês. Para compor os sucessos, eles usavam um livro didático de inglês de escola que pertencia ao pai do guitarrista Wagner “Bitão” Benatti !
O maior hit dos Pholhas, “My Mistake”, virou o hino dos casais apaixonados nos anos 70. O que quase ninguém sabia é que a letra fala sobre um homem preso, arrependido por ter assassinado a própria esposa.
I was sent to prison / For having murdered my wife / Because she was living with him / I lost my head and shot her
Eu fui mandado à prisão / Por ter assassinado minha esposa / Porque ela estava vivendo com ele / eu perdi minha cabeça e atirei nela.
Sinistro, hein?
Ao contrário da esmagadora maioria dos “falsos gringos”, os Pholhas alcançaram o sucesso de moda orgânica, sem depender da inclusão de suas músicas em trilhas de novelas. O LP onde estava incluída “My Mistake”, Dead Faces, vendeu 400 mil cópias. Em seguida ao hit, eles emplacaram uma sequência de outros sucessos: “She Made Me Cry” (1973), “Forever” (1974), “I Never Did Before” (1974), “My Sorrow” (1975) e “Get Back” (1975).
Light Reflections
Outro fenômeno gigantesco foi o grupo Light Reflections, formado por jovens universitários paulistas (que antes usavam o nome Tobruk). Em 1972, eles lançaram a balada melancólica “Tell Me Once Again”.
A música entrou na trilha sonora de novela, “furou o disco” de tanto tocar nas rádios e fez a banda vender mais de 1 milhão de cópias. O visual deles — cabelos longos, roupas coloridas e visual psicodélico — colava perfeitamente com a estética de bandas que vinham de Los Angeles ou Londres.
Nos anos 80, a música ficou tão marcada que ganhou até paródias cômicas no Brasil, como a famosíssima “Calúnias (Telma, eu não sou gay)”, cantada por João Penca e seus Miquinhos Amestrados, com a participação especialíssima de Ney Matogrosso.
Acompanhe as cantoras “falsas gringas” na parte 3 do artigo, e o fim do “movimento”: clique aqui para ler!


