Ferramenta desenvolvida pela USP ajudará na gestão de políticas para o desenvolvimento agrário
O Cadastro Multifinalitário permitirá ao governo definir políticas públicas com maior precisão e eficiência

Pesquisadores da USP desenvolveram uma ferramenta para integrar as bases de dados do Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA) e, com o auxílio da inteligência artificial, cruzar informações e permitir aos gestores do ministério desenhar políticas públicas regionais e por culturas específicas com maior precisão e eficiência.
“Batizado de Cadastro Multifinalitário, o sistema integra as informações de diversos cadastros do ministério e permite que os gestores façam perguntas, em português, sobre produtos, perfil dos cadastrados, produção regional, por exemplo. O sistema disponibiliza painéis que foram definidos pelo MDA e um chatbot que fornece informações detalhadas sobre as ações do MDA”, explica a professora da Escola de Artes, Ciências e Humanidades (EACH), Fátima Nunes, especialista na área de ciência de dados e pesquisadora do projeto.
Para o ministro do Desenvolvimento Agrário, Paulo Teixeira, “com este cadastro, poderemos cruzar informações e desenhar políticas públicas regionais e por culturas específicas com maior precisão e eficiência. Trata-se de uma base de dados e de relacionamento que dará um grande impulso ao campo. Além de traçar o perfil do setor, a ferramenta permite identificar a cobertura de nossas políticas e detectar lacunas de acesso, utilizando a inteligência artificial para análises complexas”.
Nesta primeira etapa do projeto, o trabalho dos pesquisadores consistiu em integrar as bases de dados, programar ferramentas para extrair dados utilizando inteligência artificial generativa e determinar uma ontologia para melhorar o desempenho das consultas. A ontologia possibilita definir os conceitos, as propriedades e os relacionamentos existentes nos dados, criando um arcabouço de informações que facilita o desenvolvimento de modelos computacionais capazes de realizar análises complexas e não previstas.

Como explica Fátima, “existem diversas ferramentas de inteligência artificial generativa, como o ChatGPT e o Gemini, mas que não são capazes de atuar em um contexto específico como o do ministério. Essa pesquisa é inovadora porque estamos construindo uma base de conhecimento específica, modelos próprios para os dados do Cadastro Multifinalitário”.
Um protótipo do sistema já foi entregue ao ministério e está em fase de avaliação. A próxima etapa, prevista para começar ainda neste ano, prevê a inclusão de novas funcionalidades e a disponibilização do cadastro para consultas.
Desenvolvendo inovação
O Cadastro Multifinalitário começou a ser desenvolvido em agosto do ano passado, resultado de uma parceria firmada entre o MDA e o Centro de Inteligência Artificial e Aprendizado de Máquina (CIAAM) da USP e que conta com a participação de pesquisadores da Universidade e de outras instituições brasileiras.
“É um privilégio participar de um projeto como esse, com grande impacto social e que mostra como a tecnologia de inteligência artificial pode ser empregada de forma efetiva para melhorar a vida das pessoas”, explica o coordenador do Ciaam, Fabio Gagliardi Cozman.
O protótipo do sistema foi entregue ao MDA no começo do ano e, agora, a equipe trabalha na proposta que deverá ser apresentada ao ministério para a continuidade do projeto.
Para o ministro Paulo Teixeira, “no Brasil, as universidades públicas são as principais responsáveis pela pesquisa, inovação e tecnologia. O País sofreu as consequências de ter sido um dos últimos da América Latina a implementar universidades. Sabemos que não existe desenvolvimento sólido sem educação e produção de conhecimento de alto nível, por isso, infelizmente, existem grupos que atacam essas instituições. A parceria com o Governo Federal é benéfica para ambos os lados: os enormes desafios do País tornam-se oportunidades para a produção de saber, enquanto o trabalho acadêmico encontra sua expressão mais plena na função social de transformar a realidade”.



