A militância petista está aflita. O alto risco de Lula perder a eleição para presidente no segundo turno deixa os defensores do apedeuta sem referência e descontrolados. Sem norte, cada um faz o que acha mais adequado na tentativa imediatista de minar o nome do adversário, Flávio Bolsonaro. É uma campanha descoordenada, cujo propósito tem forte conotação negativa e não atrai novos eleitores. As redes sociais estão inundadas de despautérios agressivos.
Há, sim, um comando básico, que é o exercício do terror. Mas é um terror burro, que peca pelo excesso de mentiras (fake news para os moderninhos). O momento, segundo orientações que vêm de cima, é tentar transformar Flávio Bolsonaro na pessoa mais perigosa do país. Se ele vencer, afirma a militância, todas as conquistas sociais da população vão desaparecer do dia para a noite. Trata-se de uma tolice sem fim e sem qualquer ligação com a realidade.
Há um problema grave nessa estratégia, porque Lula tem afirmado a necessidade de convencer o eleitorado que não foi às urnas. Parcela dos que se abstiveram – mais de 20% dos eleitores do país – poderia ser captada com um discurso sereno e maduro, suponho. Algo inteligente. Mas não com essa agressão que está sendo vista. Suponho também que isso o afaste ainda mais das urnas.
Quero dizer que, em vez de atrair, os petistas estão afastando cada vez mais os eleitores independentes, e não surpreenderá se a campanha de terra arrasada do PT ampliar o fosso entre os que participarão do pleito e aqueles que vão preferir ficar longe do processo, como fizeram no primeiro turno. Será uma campanha às avessas.
As pessoas não gostam de virulência. E a militância do PT está acima da virulência. A campanha, portanto, tende a ser contraproducente. Tenho observado jovens e velhos petistas de Piracicaba fazendo o mesmo discurso, com um descaramento sem paralelo e sem vergonha. A campanha do medo acaba por revelar um sentimento de final de ciclo. O pior, um final melancólico.
Mas e se ela der certo? As margens são baixas, mas existe essa possibilidade. Aí teremos um quarto governo de Lula caracterizado pelo ódio e pela falta de equilíbrio. Além, obviamente, da falta de governo, que já acontece há três mandatos.



