Os fins justificam os meios. Esta frase sempre foi muito usada no universo político. É uma resultante do pensamento de Maquiavel, poderíamos dizer. No Brasil, ela tem sido usada por Lula em sua prática para tentar vencer seu adversário, Flávio Bolsonaro.
O centro pensante do PT construiu um fim bastante controverso e supostamente robusto para poder fazer o diabo durante a campanha sem se sentir constrangido. Segundo o PT, com Flávio Bolsonaro o Brasil perderia sua soberania e mergulharia em um regime autoritário.
Com essa tese vendida aos petistas, a cegueira se instalou na militância, e Lula recebeu as credenciais para investir todos os recursos do Estado ao tentar sua quarta eleição. Observe que falo em recursos do Estado, e não de Lula.
Antigamente, nos tempos do voto de cabresto, em um Brasil predominantemente rural, havia ainda uma certa idoneidade dos candidatos em disputa pela presidência do país e dos seus apoiadores. Os fazendeiros transportavam os eleitores para votar no candidato que eles queriam. Diz a lenda que havia caso em que era distribuído um pé de sapato para cada eleitor. Com as urnas abertas e a vitória assegurada, o segundo pé era entregue.
Ou seja, para ter um par de sapatos, o eleitor tinha que seguir as orientações do patrão, mas havia ao menos uma margem de moralidade. Se rejeitasse o par, o eleitor poderia seguir sua consciência. O que Lula está fazendo é pior. Ele distribui muitas vantagens aos seus eleitores, inclusive dinheiro (tem prometido até o PixMEI). Mas não é dinheiro do patrão, digo, de Lula, mas dos cofres públicos.
Isso significa que todos os eleitores pagam para que Lula possa fazer sua campanha com essa desfaçatez do tamanho do mundo. Os petistas, mesmo aqueles que se dizem sensatos, acabam caindo na tese dos meios justificando os fins. É o falso moralismo reinante.
Ao meu entender, poderiam ser considerados crimes as medidas de boca de urna de Lula, mas os inocentes úteis estão avalizando-as em silêncio. Por isso, acho que, depois de toda essa farra, se Flávio ganhar, não será uma simples vitória, mas uma baita vitória, uma vitória retumbante. Um presente dos petistas para ele.
Lula poderia, sim, ganhar de forma honesta, ou melhor, usando outros mecanismos. Não faltam argumentos sobre a conduta de Flávio. Mas faltam ao seu adversário recursos reais, que seriam os argumentos propriamente dito que não voltem contra ele mesmo, como um bumerangue. O debate da Band foi apenas uma pequena amostra da loucura que se tornou a campanha.
Flávio, por sua vez, tem méritos para vencer? Esta é uma pergunta evasiva, dispersiva, porque depende muito do adversário e, pior, da Justiça. Diante de um Lula sem freios, Flávio ganhou status de Davi. O cenário deveria ser menos aviltante para o eleitor consciente.
Em síntese, há mil críticas a fazer sobre o candidato Flávio Bolsonaro, mas todas elas perdem a força, porque nele acaba incidindo o mesmo raciocínio petista, dos fins que justificam os meios. Ou seja, para vencer Lula, tudo vale.
Por isso Flávio se fortaleceu. Um empate entre os dois é o limite de Lula. A pequena diferença que levará o vencedor ao pódio é a margem de erro de uma campanha que nasceu com o status de fim de linha a que o país chegou. E os fins justificam este artigo.





