Foguete brasileiro vai para o espaço?
Mais uma vez o dinheiro do contribuinte, com certeza, foi
A indústria espacial brasileira vai ou não vai?
O projeto de VLPP (Veículo Lançador de Pequeno Porte), financiado pela Finep, agência do governo brasileiro, foi cancelado. Depois de R$ 41 milhões de dinheiro do contribuinte terem ido para o espaço, ou melhor, não terem ido: a empresa Akaer, responsável pela gestão do consórcio responsável pela pesquisa, construção e operação dos foguetes, sumiu com a verba pública, não repassou a parte das outras empresas, e não prestou contas até agora. A empresa nega que houve irregularidades.

Não foi, mas...
O Brasil tem tecnologia aerospacial, desenvolvida desde a década de 1960, com pesquisas e desenvolvimento centrados no INPE (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais ) de São José dos Campos. Tem duas bases de lançamento de foguetes, a de Alcântara, no Maranhão, e a Barreira do Inferno, no Rio Grande do Norte. Empresas internacionais estão interessadas nas duas bases pela localização na linha do Equador, o que economiza combustível dos foguetes e barateia lançamentos.
Programa espacial retomado
O país já desenvolveu satélites e foguetes suborbitais, mas não conseguiu ainda fazer decolar foguetes que colocam satélites em órbita, que dependem de potência maior, infraestrutura e também mais dinheiro. O acidente que aconteceu em 2003, na base de Alcântara, no qual explodiu o VLS – Veículo Lançador de Satélites, de tecnologia nacional, matou 21 profissionais, e desacelerou nosso ânimo. O desenvolvimento de tecnologia espacial com apoio estatal só foi retomado na gestão de Jair Bolsonaro, e o governo Lula retomou a pesquisa e fabricação própria de lançadores orbitais com aumento de verbas federais, com incentivo para empresas privadas através de editais.
Uma notícia ruim e duas boas
Embora o VLPP tenha sido cancelado, há dois outros programas em curso, desenvolvendo lançadores orbitais: o foguete MLBR, que também será construído pela iniciativa privada, e o VLM-AT, que está sendo projetado pela Força Aérea Brasileira (FAB).
Opa, mais uma
O governo federal implantou em 2025 mais uma empresa estatal, desta vez para desenvolvimento no campo aerospacial, a ALADA - Empresa de Projetos Aeroespaciais do Brasil. A empresa é a responsável, atualmente, por gerir o Centro de Lançamentos de Alcântara.
Menos um

Não por isso, mas deu chabu o primeiro lançamento que aconteceu sob a gestão da ALADA. O foguete HANBIT-Nano, da empresa coreana Innospace, em 22 de dezembro de 2025, explodiu 30 segundos depois de lançado. Mas tais explosões são esperadas, especialmente quando a empresa ainda está em fase de testes da sua tecnologia. Como ocorre com a SpaceX, de Elon Musk, e o desenvolvimento de sua Starship, que de 11 lançamentos de 2023 até hoje, explodiu 5.
Autonomia-1
Ter autonomia de lançamento de foguetes, mesmo de pequeno porte (como o programa cancelado possibilitaria), é essencial para fazer lançar satélites e outros equipamentos de tecnologia nacional para pesquisa na alta atmosfera, melhorar a obtenção de dados metereológicos, e monitorar o território nacional para defesa e estratégia militar.
Autonomia-2
Mas o principal motivo é economizar dinheiro do contribuinte, dispensando empresas estrangeiras, ou dependendo menos delas. Desenvolver tecnologia própria aerospacial é elemento essencial de soberania. Veja os exemplos de países em desenvolvimento, como a Índia, locadora do foguete que enviou o primeiro satélite inteiramente desenvolvido no Brasil, o Amazônia-1.
Países em desenvolvimento na órbita
Em 2023, a Índia conseguiu até enviar uma sonda para a Lua, a Chandrayann-3, que pousou com sucesso e enviou dados. Outros países como Irã, Arábia Saudita, Indonésia, Egito e Nigéria hoje fazem do clube espacial, onde estão há muito tempo EUA, Rússia, China, Japão e União Europeia.





