Instituto de Geociências da Unicamp colabora com pesquisa da Agência Espacial Europeia
Nora Noffke, especialista mundial em esteiras microbianas, integra pesquisa na Formação Botucatu
A docente da Old Dominion University (Virgínia, EUA) Nora Noffke esteve no Instituto de Geociências, em junho, a convite de Fresia Ricardi-Branco, professora do Departamento de Geologia e Recursos Naturais do IG. O objetivo da visita foi colaborar em uma pesquisa sobre a Formação Botucatu (financiada pela Fapesp), um antigo deserto do intervalo Cretáceo Inferior (145-125 milhões de anos atrás) no interior paulista que é considerado um dos maiores desertos fósseis do mundo. Um dos objetivos de Noffke é utilizar as feições encontradas nesse antigo deserto como análogas àquelas dos desertos de Marte.
Noffke juntou-se recentemente à equipe da Agência Espacial Europeia (ESA) para procurar evidências de vida extinta em Marte a partir de imagens captadas por rovers – veículos que percorrem parte do planeta vermelho em busca de bioassinaturas de vida antiga. “Gostaríamos de procurar vida em Marte, onde há muitos desertos. Se nós sabemos o que procurar na Terra, em um sistema de desertos fósseis, nós poderemos usar esse conhecimento para identificar algum tipo de bioassinatura associada a vida pretérita nos desertos fósseis em Marte”, explica Noffke.
A pesquisadora alemã participou de uma atividade de campo na Formação Botucatu junto com estudantes do IG e pesquisadores da Universidade Estadual Paulista (Unesp) de Ourinhos e da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). O foco central do estudo foi investigar a presença de esteiras microbianas nessa Formação. A parceria com Noffke, além de contribuir com os estudos sobre a vida em Marte, contribuirá para avanços nos estudos da própria Formação Botucatu. Durante o trabalho de campo, o grupo encontrou estruturas de rochas muito bem preservadas que confirmaram a existência dessas esteiras em diferentes condições de umidade dentro do deserto.
Segundo Fresia Branco, esse tipo de vida nunca tinha sido encontrado nessa área. “A forma na qual os biofilmes se fossilizaram e as feições associadas a eles no deserto Botucatu poderiam ser semelhantes às bioassinaturas fósseis de Marte”, explica a docente do IG. Como essas estruturas microbianas indicam a presença de umidade e serviam de subsistência para outros seres vivos que habitaram a região, a Formação de Botucatu servirá como uma ”biblioteca de possibilidades” e análogo terrestre para ajudar a Agência Espacial Europeia a identificar sinais de vida em Marte.
Os resultados da pesquisa na Formação Botucatu devem ser publicados em breve.
Essa foi a segunda visita de Noffke à Unicamp. Em 2023 a docente da Old Dominion University ministrou uma palestra no IG sobre seus estudos para a prospecção de vida fóssil em Marte.
Matéria: Eliane Fonseca Daré | Jornal da Unicamp.





