O eleitorado deve estar meio zonzo com o noticiário político e o forfé no forrobodó do STF. A única notícia recente fora da curva foi o crescimento de Augusto Cury, do Avante, junto a um eleitorado que não suporta extremistas, mas estava entre Nhô Ruim e Nhô Pior.
É sintomático o fato de o escritor ser um psiquiatra. Mas talvez ele fosse mais eficiente se fosse um exorcista. Suponho que teria mais voto e saberia falar a língua do povão. Com menos iluminismo, talvez ele chegasse mais próximo do obscurantismo que habita a alma dos nossos políticos e da população em geral.
A lógica não é o forte de Lula, nem de Flávio Bolsonaro, por isso eles ludibriam que é uma beleza, e com convicção. A galera aplaude. Entre Freud e Schopenhauer, eles ficariam com a Mula Sem Cabeça e o Curupira. Personagens folclóricos podem dizer mais sobre eles do que uma conversa em que o senso de ridículo esteja presente. Fazem de conta que não sabem o que é ridículo para não revelar o próprio caráter.
Não podemos dizer, por exemplo, que Lula sofre apenas de desvio de conduta, e por isso não consegue distinguir o que é certo do que é errado. Na mesma linha segue Flávio Bolsonaro. Se eles cometeram e cometem erros que abalam o senso de honestidade da maioria das pessoas, isso talvez tenha a ver com a desonestidade mesmo. São desonestos e ponto final.
Observando, por exemplo, Jair Bolsonaro. O homem é tão esquisito que até indicava cloroquina para curar Covid-19. Ele ouvia dos seus amigos loucos coisas assim e mandava ver. A ciência, com todo seu empenho para tentar contornar a situação, era obrigada a conviver com o charlatanismo.
Não que a ciência seja absoluta, mas o charlatanismo também não é coisa boa diante de uma crise grave de saúde pública. O danado do Jair não queria nem saber, pois o negócio dele era o mundo mágico, sem ter ideia do que estava falando. Quem é o louco aqui?
Sócrates acreditava ser possível, em um diálogo, mostrar para uma pessoa que ela estava no caminho errado, que sua conduta era desvantajosa para a dignidade humana, para a coerência, para a busca da lucidez e do bem comum. Hoje, tenho dúvidas se seria possível um diálogo franco com Lula e os Bolsonaros, já que eles mentem sem a menor vergonha.
São posturas doentias, que talvez não se curem com tratamentos terapêuticos, mas com determinações judiciais. Você está disposto a eleger uma pessoa que esconde detalhes sobre sua vida pregressa e depois descobrir que ela sempre mentiu, e uma simples devassa revelaria sua verdadeira identidade, ligada ao mal?
O Brasil vive sob o manto do ilusionismo. Nada do que vemos em Brasília é. Por trás dessa imagem ilusória há sempre um Vorcaro agindo ao arrepio da lei e pagando bem para que os bastidores fiquem livres para sua passagem. É um mundo de máscaras. O forrobodó que abre este artigo é apenas um eufemismo para o grande baile do crime organizado que engole Brasília.




