Jogo de cartas inspirado no Super Trunfo, criado na Esalq/USP, revela a diversidade de frutas amazônicas
"Super Frutas" foi desenvovido na Esalq e incentiva o conhecimento das frutas tropicais, além da conscientização sobre o potencial econômico, ambiental e nutricional de cada espécie
A gamificação, é uma poderosa ferramenta de aprendizagem que, ao abordar temas acadêmicos de maneira lúdica, desperta o interesse, unindo diversão e ensino. O jogo de cartas “Super Frutas”, inspirado no Super Trunfo, incentiva o conhecimento sobre as frutas da Amazônia, comparando teores de proteínas e carboidratos e destacando curiosidades de cada espécie. O objetivo principal é conquistar todas as cartas, contando com o poder especial da “Super Fruta”, o açaí. O jogo é recomendado para crianças com idade igual ou superior a 7 anos, e pode ser utilizado por grupos de 2 a 6 jogadores.
O jogo foi lançado no final de 2025 e tem autoria do biólogo Rafael Barty Dextro, que está desenvolvendo seu pós-doutorado no Centro de Energia Nuclear na Agricultura (Cena) da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq) da USP em Piracicaba. O baralho faz parte do Projeto Agrobiofor, financiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), que investiga a relação entre a saúde do solo e a qualidade nutricional em sistemas agroflorestais da Amazônia, além de conscientizar sobre o potencial econômico, ambiental e nutricional do uso das agroflorestas na produção de frutas tropicais.
A iniciativa científica, intitulada Vinculando a Saúde do Solo à Qualidade dos Alimentos: Abordando o Valor dos Sistemas Agroflorestais da Amazônia sob uma Abordagem Bioeconômica Inovadora – Agrobiofor, é coordenada pela professora Tsai Siu Mui, do Laboratório de Biologia Celular e Molecular do Cena, e analisa a relação entre solos saudáveis, sistemas agroflorestais (SAFs) e a qualidade de produtos, visando valorizar bioeconomias locais.
Criação do jogo
Como conta o pesquisador Rafael Dextro, ele coleciona há muitos anos os jogos Top Trump e Super Trunfo, que se baseiam na dinâmica de comparação de valores entre diferentes objetos. “Quando comecei meu pós-doutorado com a professora Tsai Siu Mui no projeto Agrobiofor, notei a possibilidade de desenvolver um jogo usando a mesma metodologia do Super Trunfo, mas que serviria de ferramenta para a disseminação de conhecimento acerca das frutas tropicais cultivadas no Bioma Amazônico”, diz.
Assim como os jogos de inspiração, ele explica que o Super Frutas funciona através da comparação de parâmetros existentes em cada carta, como valores de energia (kcal), teor de proteínas e carboidratos (em gramas por cada 100g de fruto) e também da produção nacional em reais no ano de 2023, baseada nos dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) para determinar quem vence, com o objetivo de conquistar todas as cartas dos demais jogadores. “Para isso, é necessário estratégia e atenção, avaliando quais frutas possuem melhores parâmetros que poderiam vencer a cada rodada”, informa.
.
Rafael destaca que existe ainda a “Super Fruta”, “que não pôde ser outra que não o Açaí”, que tem o poder de vencer automaticamente todo o grupo de cartas identificadas com a letra A. Com design gráfico assinado por Rafael Dantas, as cartas possuem também o tópico Curiosidade. “Para aumentar o valor didático do jogo, a professora Tsai sugeriu a adição de um tópico de ‘curiosidade’, onde uma informação relevante sobre aquela fruta é apresentada”, conta o pesquisador, exemplificando com a carta do Camapu, onde é possível ler na Curiosidade: “Contém a Fisalina D, composto que estimula a atividade cerebral”.
Aplicação do experimento
Segundo Rafael, o experimento piloto de aplicação do jogo ocorreu durante uma ação de extensão do Projeto Cena na Escola, realizada no município de Tomé-Açu, no Pará. “Esta escolha está relacionada ao nosso trabalho dentro do Projeto Agrobiofor (veja mais informações no site do projeto), no qual avaliamos a saúde do solo através de aspectos microbiológicos e físico-químicos em sistemas agroflorestais de agricultores cooperados da Cooperativa Agrícola Mista de Tomé-Açu (Camta), a fim de avaliar a sustentabilidade deste tipo de propriedade rural, observando seus impactos no solo e produção de alimentos”, explica o pesquisador,
A aplicação aconteceu na Escola Estadual de Ensino Médio (EEEM) Antonio Brasil, com quase 1.500 alunos, incluindo Educação de Jovens e Adultos (EJA) e Educação Especial (EE). “Aplicamos o jogo a um grupo de cerca de 80 alunos, com idades entre 14 e 17 anos, junto de apresentações e uma conversa descontraída sobre o conceito de agrofloresta e a qualidade de frutos amazônicos”, lembra o pesquisador, destacando que a receptividade e dinamismo do jogo foi muito bem recebida pelos alunos da escola. Ele também informa que, através do projeto Embaixadores da Ciência, já reaplicaram o jogo para diversas outras turmas da escola, disseminando as informações apresentadas e popularizando ainda mais o jogo Super Frutas.
“A ideia agora é aplicar o jogo junto do projeto de gamificação do Cena, coordenado pelo professor Alex Virgilio com recursos aprovados pela Pró-Reitoria de Cultura e Extensão Universitária (PRCEU) da USP, e também disponibilizar o baralho para as escolas participantes do (projeto) Cena na Escola”, conclui.
Matéria: Claudia Costa | Jornal da USP.








