"Ginástica para todos", uma modalidade que humaniza e não foca em competição
Uma das modalidades da ginástica tem como objetivo mais o processo do que o resultado final e as competições

Ginástica para todos (GPT) é uma modalidade da ginástica que utiliza movimentos e conhecimentos das demais ginásticas. Em geral, ela deve ser inclusiva, aberta a pessoas de todas as idades, gêneros e níveis de habilidade. Segundo a professora Mariana Tsukamoto, do curso de Educação Física e Saúde da Escola de Artes, Ciências e Humanidades da USP (EACH) e responsável pelo grupo de ginástica para todos para os alunos USP e para o Programa USP 60+ na EACH , a ginástica para todos é benéfica para a formação humana e a socialização.

“A ginástica para todos é uma prática que tem como seu eixo principal os movimentos, as habilidades, as ações relacionadas às ginásticas. Eu uso ginástica no plural, porque a gente não fala só de uma modalidade, a gente entende historicamente A gente observa que a ginástica foi construída de uma forma muito diversa, ela tem muitas possibilidades, muitas ramificações dentro dela. Na GPT, a gente tem como espinha dorsal os movimentos, ações, aparelhos das ginásticas e, durante o seu desenvolvimento, vamos incorporando outros elementos. Por exemplo, elementos da cultura, que podem vir de diversas formas, como elementos musicais, expressões corporais, artísticas, teatrais”, explica Mariana.
Assim como outras práticas esportivas, a GPT é positiva para a saúde. “Com relação às questões de saúde, vale a pena pensar em que conceito de saúde a gente está falando. Hoje, a gente fala muito do conceito ampliado de saúde, que não está relacionado só às questões biológicas. Saúde é um conceito que abrange o indivíduo de uma maneira integral e está muito relacionado à questão da formação humana.”
Mariana destaca dois fatores importantes da modalidade. “Eu queria destacar a possibilidade de versatilidade de muitos elementos. Como [a ginástica] tem características diferentes daquelas modalidades que são competitivas, permite que a gente transite, explore e crie muito mais. Ela também tem uma forte ligação com a questão da formação humana e do trabalho coletivo. As ações são sempre pensadas, em sua maioria, para serem desenvolvidas em grupo, para promover a interação. É uma prática considerada bastante agregadora, porque permite que pessoas de muitos perfis diferentes, corporais, de habilidades, de origens, se encontrem e possam trabalhar juntas, permitindo também a congregação de pessoas de idades diferentes em um grupo.”
Competição não é importante
Para a professora, o resultado final não é mais importante do que o processo experimental da modalidade. “Predominantemente, não existem competições de GPT. Não é uma prática de caráter competitivo. Isso, assim, derruba muita coisa, porque, se não é competitivo, eu não vou ter que me comparar a ninguém. Então, basicamente, o que eu consegui fazer está muito bom, ou o que o meu grupo conseguiu fazer. É óbvio que a gente sempre quer fazer o nosso melhor enquanto grupo.”
Mariana ressalta a existência de eventos, também chamados de festivais, de ginástica para todos. “A Federação Internacional de Ginástica organiza um evento que se chama Ginastrada Mundial, que é o maior evento de GPT que acontece mundialmente. Ela acontece de quatro em quatro anos. Só que com muito mais participantes do que nos Jogos Olímpicos, porque potencialmente todos os grupos podem ir se quiserem e possuírem recursos para ir. Em questão, por exemplo, de dinheiro, isso é uma seleção.”
A professora finaliza falando sobre os eventos competitivos. “World Gym for Life é o evento competitivo de GPT. A grande estranheza é que eu acho que faz sentido ter competição na GPT, porque ela, por essência, quer outras coisas, permite muita experimentação e, quando você coloca um fator competitivo, você acaba minando várias oportunidades criativas e de formação. Você acaba buscando padrões, que é uma coisa que não faz muito sentido na ideia inicial de GPT.”



