A esquerda adora um prêmio estadunidense
E os artistas subsidiados pelo estado brasileiro, mais ainda.
Artistas brasileiros ganham Grammy
Deveríamos estar felizes. Peraí, deveríamos? Se você é fã de Caetano Veloso e sua irmã Maria Bethânia, sim, é normal que fique contente por eles terem ganho um prêmio Grammy. Mas obrigar-nos todos, brasileiros e brasileiras, a nos sentirmos felizes com a premiação, sob a pena de crime de lesa-pátria, aí não há cartilha cívica que nos obrigue a tanto. Nos dias de hoje, nem conquistas esportivas, como copa do mundo, olímpiadas, pódio na fórmula 1, ou coisa que os valham, estão no manual.
Inveja, eu?
Será que é porque eu, ou pessoas que criticam esses artistas e esportistas, temos inveja dessa turma? Ficando somente entre os artistas medalhões da MPB: teríamos nós inveja dessas pessoas afortunadas, em mais de um sentido, com talento e verbas públicas, ganhas direta ou indiretamente, por meio de patrocínios e incentivos de leis Rouanet da vida?
Um prêmio estadunidense
Aliás, esquerdistas adoram Caetano, Chico, Gil e Milton, e detestam os EUA e a “cultura estadunidense”. Mas comemoraram Oscars e Grammies, assim como uma menção no jornal “The New York Times”. Talvez seja aquela velha frase, que ribomba em nossos ouvidos desde os tempos imperiais: “E a Europa curvou-se ante o Brasil”. Substitua “Europa” por “Estados Unidos” e sentirão toda a complexidade da tara de muitas pessoas do lado esquerda da Força.
Henfil e Paulo Francis
Até o esquerdista radical Henfil percebeu a tara, brincando com isso de forma autodepreciativa, bem-humorada, criticando-a em seus colegas artistas e “intelequituais”, em obras como o filme “Tanga – deu no New York Times”.
E Paulo Francis, que um dia já foi de esquerda, no título da sua coluna na Folha - “Diário da Côrte”, depois no Estadão, chamava de “Côrte” Nova York e os EUA, reconhencendo que os norte-americanos eram o poder imperial da nossa época, e a “Big Apple”, sua capital financeira, política e cultural. E ainda são.
Reconhecimento do mundo civilizado pela nossa cultura?
Um pouco sim, mas, na real, o lugar que mais repercutirá o prêmio Grammy dos nossos manos medalhões será mesmo o Brasil. Não tem jeito. Caetano e Bethânia tem importância somente para nós. Seja musicalmente – e não há porque negar os seus méritos, ficando somente, e tão somente, no campo da música, o que não é pouco –, seja na política da indústria cultural, que escolhe seguidores, discípulos, músicos que beijam a mão da “máfia do dendê” e agora, dos administradores de seus espólios. Porque o tempo está passando, e eles, fisicamente, também passarão. Mas a sua influência, infelizmente em grande parte política, continuará sendo nefasta, por muito tempo.





