Há momento certo?
Informações sobre envolvidos em corrupção, tema que não é mais relevante para o eleitor em sua escolha, explodiram novamente na última semana na imprensa
A eleição presidencial deste ano será difícil de acompanhar, pelo que se percebe neste momento. Nem tanto pelos candidatos que estão liderando, que são os mesmos desde o início da pré-campanha. Mas pela situação geral do ambiente político.
Informações sobre envolvidos em corrupção, tema que não é mais relevante para o eleitor em sua escolha, explodiram novamente na última semana na imprensa. É difícil encontrar um nome de destaque no cenário nacional que não tenha relação direta ou indireta com Daniel Vorcaro, suposto dono do Banco Master, e suas propinas.
Se um lado fala do outro por causa de falcatrua, o outro fala do um por causa de falcatrua. A lama é a mesma, independente do polo ideológico. Por uma questão de preferência, cada lado tenta se proteger das agressões alheias alegando que não é bem assim. Mas é bem assim.
O colunista do Estadão, Diogo Schelp, escreve hoje sobre cinismo do eleitor, que se faz de desentendido para continuar no mesmo lugar que sempre esteve. É de um imobilismo atroz, como se nada que tenha peso moral o afetasse, já que o adversário também está na mesma situação quanto à imoralidade. Por isso, nada o faz mudar de ponto de vista.
Claro que o caso Jaques Wagner terá novos desdobramentos e isso pode ter peso eleitoral. Como também o caso Dark Horse e a grana enviada para Flávio Bolsonaro (ou para terceiros, como queira). Mas pode não ter também. Sendo assim, a tendência é todo mundo fazer papel de cego, surdo e mudo, defendendo o que sempre defendeu, não esperando nada de novo.
A imobilidade pode ser sintoma de cansaço, de desilusão, conformismo, aversão aos políticos ou tudo junto e misturado. Não dá mais para saber. Há quem acredite que o momento certo para as oscilações das opiniões e escolhas ainda não chegou, uma vez que a campanha oficial sequer começou. Mas há momento certo?
A constatação, no entanto, é de devastação moral. O cinismo beira a fronteira de certa patologia coletiva. Vamos saber ainda.





