O final do Neoplatonismo, enquanto movimento filosófico, foi traumático para os filósofos puros. Se é que se pode usar esse termo para aqueles pensadores livres, que não precisam pedir ordem a ninguém para afirmar as teses alcançadas em seus estudos.
A descida de Alexandre, o Grande, da Macedônia, com os seus soldados, para tomar o poder da Grécia, exatamente em um período em que os gregos estavam cansados, devido a uma guerra intensa que haviam travado com os persas, foi a gota d’água.
Os primeiros a sofrer com a ocupação foram os filósofos. Poucas escolas filosóficas pararam em pé e muitos de seus integrantes precisaram fugir. Alguns, inclusive, acompanharam as caravanas do ditador que seguia para a cidade batizada com o seu nome.
Alexandria, no Egito, por motivos óbvios, tornou-se a capital do império. Foi lá que nasceu o pensamento de Plotino, por exemplo, em uma parceria com Amônio Sacas.
Como Alexandre viveu apenas 32 anos e permaneceu somente 10 anos como imperador, esse tempo passou rápido. Mas foi o suficiente para ele dominar muitos territórios e gerar grande caos social na Grécia. Foi desse caos social que nasceu o Helenismo (o termo estaria relacionado à Hélade, que é o conjunto de cidades-estado que formava a Grécia Antiga, incluindo Esparta e Atenas. Esta informação está no Google).
O Helenismo, como eu o classifico, é uma bacia de riqueza filosófica, mas que precisa ser explorada com cuidado. Por quê? Porque ela não forma propriamente nenhuma escola filosófica. É composta sim por pensadores independentes que tentaram compor escola.
Vejamos o caso de Diógenes de Sinope. Muito explorado pelo seu bom humor e valentia diante dos homens fortes, dizem que ele chegou a peitar o próprio Alexandre. Contam os registros que o imperador ficou sabendo da vida do filósofo e do fato de ele ser um pensador perspicaz, mas que morava à míngua, dentro de uma barrica. Lenda?
Ao se aproximar de Diógenes, Alexandre disse: “No que posso te ajudar?” A resposta rápida e indignada do pensador foi: “O senhor pode sair da minha frente para não roubar os raios de sol que me aquecem?” Claro que quem conta um conto aumenta um ponto. Se as frases não forem essas, justifico-me dizendo que foram as que ficaram na minha memória.
O apelido de Diógenes é O Cão, que alguns conhecem como O Rato, porque ele via no rato a liberdade suprema de viver em espaço urbano sem depender de ninguém. Mas de vez em quando ele pedia uma ajudinha aos amigos, sim. Ele integra o grupo, digamos assim, dos Cínicos. E cinismo deriva de Cão.
A expressão “Ridendo castigat mores” significa que o riso corrige os costumes. E está sempre relacionada a Diógenes de Sinope. O Viletim e sua cria, a Revista de Domingo, tem muito desse ilustre.
Em outras matérias eu poderia falar de outros pensadores do período e suas ideias. Mas encerro com Epicuro e o epicurismo. O interessante é que o pai dos quatro fármacos para a felicidade era contra as ideias de Platão e Aristóteles. Suas teses principais estavam também voltadas à sobrevivência em um mundo caótico, como as de Diógenes.
Quais são os quatro fármacos para a felicidade, segundo Epicuro?
• Não tema os deuses.
• Não tema a morte.
• O bem é fácil de alcançar.
• O sofrimento é suportável.
Com ideias-síntese como estas, Epicuro financiou seu Jardim, convencendo uma elite endinheirada que também precisava ser feliz. O filósofo brasileiro Olavo de Carvalho escreveu o livro “Jardim das Aflições”, destruindo o pensamento da FFLCH, predominante na USP, uma vez que seus professores, segundo o filósofo, viviam à base de vinho e queijo sem contribuírem em nada com o pensamento da humanidade. Vai saber.
Uma dúvida. Se Diógenes morasse hoje em Brasília, ele estaria fazendo a mesma coisa que fazia na Grécia Antiga? Ou aceitaria uma pequena ajuda de Vorcaro?




