Hematidrose: por que algumas pessoas suam sangue?
Rara e ainda misteriosa para a medicina, a condição costuma surgir em episódios de medo, ansiedade e estresse extremos

Extremamente rara e ainda cercada de dúvidas, a hematidrose é uma condição em que a pessoa elimina sangue pela pele, geralmente associada ao suor. Apesar de já ter sido descrito por Aristóteles no século III a.C. e de aparecer em relatos do período medieval, o fenômeno segue pouco compreendido pela medicina até hoje. Revisões recentes da literatura identificaram pouco mais de 40 casos descritos em artigos científicos, evidenciando a raridade da condição.
Segundo Marco Andrey Cipriani Frade, professor titular e chefe da Dermatologia da Faculdade de Medicina da USP de Ribeirão Preto, o mecanismo responsável pelo sangramento ainda não está totalmente esclarecido.
“Isso realmente ainda não está plenamente esclarecido. Provavelmente ocorre um aumento da pressão na microvasculatura da pele, levando ao rompimento de pequenos vasos e ao extravasamento de sangue para os ductos das glândulas sudoríparas. Esse sangue chega à superfície da pele, caracterizando a hematidrose”, explica.
Estresse extremo é o principal gatilho
De acordo com o especialista, a condição costuma surgir em situações de intenso estresse físico ou emocional, como após assaltos, acidentes, episódios de medo extremo ou risco de morte.
“A hematidrose é uma condição rara de sangramento por áreas de pele e de mucosas íntegras. O fator mais frequentemente implicado e documentado na literatura é o estresse intenso, o medo e situações de grande tensão emocional, que podem desencadear o rompimento desses pequenos vasos”, afirma.
O que ainda não foi associado à hematidrose
Até o momento, não há evidências de que fatores como calor extremo, altas temperaturas ou a pressurização durante voos sejam responsáveis pelo aparecimento da hematidrose. Segundo o dermatologista, os relatos científicos apontam principalmente o estresse como fator desencadeante.
Até o momento, não há evidências consistentes de uma causa genética ou hereditária para a hematidrose, embora alguns pacientes pareçam apresentar maior predisposição ao problema. O professor ressalta que algumas pessoas podem ter características de pele que favoreçam esse fenômeno, mas essa relação ainda não está definitivamente comprovada.
Não há tratamento curativo
Como não existe um tratamento específico para a doença, o manejo da hematidrose é voltado para a identificação e o controle dos fatores desencadeantes, especialmente o estresse e a ansiedade.
“Não há relatos na literatura sobre tratamentos curativos. O mais importante é aprender a lidar com as situações que aumentam a pressão na microvasculatura da pele, reduzindo assim o risco de novos episódios”, conclui o especialista.
Matéria: Simone Lemos | Jornal da USP.




