Hepatite C ainda avança de forma silenciosa e reforça importância do diagnóstico precoce
Infectologista da Santa Casa alerta para os riscos da doença, que pode evoluir para cirrose e câncer hepático sem apresentar sintomas
“Maioria dos casos é assintomática até chegar em fases avançadas de comprometimento do fígado”, alerta infectologista
A hepatite C continua sendo um importante desafio de saúde pública por causa de uma característica que dificulta o combate à doença: na maioria dos casos, ela evolui silenciosamente durante anos. No Dia Mundial de Luta contra a Hepatite C, a Santa Casa de Piracicaba reforça a importância da prevenção, da testagem e do acesso ao tratamento precoce, fundamentais para evitar complicações graves no fígado.
Causada pelo vírus da hepatite C (HCV), a infecção é transmitida principalmente pelo contato com sangue contaminado. O compartilhamento de agulhas e seringas, transfusões realizadas antes de 1992, materiais não esterilizados em procedimentos médicos, tatuagens, piercings e até instrumentos de manicure estão entre as principais formas de transmissão.
O infectologista da Santa Casa de Piracicaba, Sidnei Umberto Berthodi Filho, explica que a ausência de sintomas é um dos maiores perigos da doença.
“A maioria dos casos é assintomática até chegar em fases avançadas de comprometimento do fígado. Pacientes descobrem hepatite C após algum médico lhes solicitarem o exame, ou fazendo teste rápido disponível nas unidades de saúde, juntamente com teste rápido de hepatite B, HIV e sífilis. Recomenda-se que pelo menos 1x na vida todo mundo faça esse teste, mas quem tem risco maior (especialmente quem usa ou já usou qualquer tipo de droga) deve fazer com mais frequência. O vírus não havia sido descoberto até 1991 e o teste não estava disponível até 1992, por isso as pessoas que receberam transfusão antes dessa data podem ter recebido sangue contaminado, e precisam fazer o teste. Tem pacientes que receberam a transfusão e descobriram a doença mais de 30 anos depois, estamos falando realmente de algo crônico e lentamente progressivo”, afirma.
Segundo o especialista, a evolução silenciosa pode levar a fibrose hepática, cirrose, insuficiência hepática e câncer de fígado. “O diagnóstico precoce muda completamente o prognóstico do paciente. Hoje temos tratamentos modernos, seguros e com altas taxas de cura”, destaca.
Dados do Ministério da Saúde apontam que os antivirais de ação direta disponíveis pelo SUS alcançam taxas de cura superiores a 95%, geralmente com tratamento entre 12 e 24 semanas. O protocolo clínico nacional também passou por atualizações recentes, reforçando a ampliação do acesso ao tratamento e a possibilidade de acompanhamento de pacientes na própria atenção básica em casos menos complexos.
As diretrizes mais recentes do Ministério da Saúde também reforçam a recomendação de tratamento para praticamente todos os pacientes diagnosticados com hepatite C crônica, independentemente do estágio inicial da doença, além de ampliarem estratégias de rastreamento e manejo precoce.
Outro ponto importante, segundo Sidnei Berthodi Filho, é combater o preconceito e ampliar a informação correta sobre a doença. “A hepatite C não é transmitida pelo convívio social, abraço, beijo ou compartilhamento de alimentos. O conhecimento é fundamental para reduzir o estigma e incentivar as pessoas a procurarem o teste”, explica.
Atualmente, não existe vacina contra a hepatite C. A prevenção inclui evitar o compartilhamento de objetos perfurocortantes, exigir materiais esterilizados em procedimentos e utilizar preservativo nas relações sexuais. “A hepatite C tem cura. Quanto mais cedo identificarmos a infecção, maiores são as chances de evitar danos permanentes ao fígado e garantir qualidade de vida ao paciente”, finaliza o infectologista.




