Professor da Esalq, Paulo Cesar Tavares de Melo
Uma obra inédita sobre uma das hortaliças mais consumidas e versáteis do mundo acaba de ser publicada por um apaixonado pela história da agricultura brasileira – Paulo César Tavares de Melo. Trata-se da publicação “História da Agroindústria do tomate no Brasil: do agreste pernambucano ao cerrado goiano”, tema abordado com profundidade pelo autor.
A obra surge após Tavares de Melo aposentar-se como docente do Depto. de Produção Vegetal da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq/USP) e assumir o desafio de conciliar fatos históricos com os avanços tecnológicos e científicos que contribuíram para o sucesso da cadeia agroindustrial do tomate brasileira. “A cultura do tomateiro tem expressiva relevância para a agricultura brasileira, notadamente na produção de tomate para processamento industrial, por sua capacidade de gerar empregos em toda a cadeia produtiva”, explicou o autor.
Quando escreveu o livro, o autor abrangeu uma linha do tempo iniciada em 1890 e que se estende até os dias de hoje. “Dessa trajetória de 135 anos da cultura no Brasil, tive a oportunidade de testemunhar, nos últimos 50 anos, os principais desafios e inovações que transformaram esse dinâmico segmento da agroindústria alimentícia brasileira. Por isso, além das histórias de outros protagonistas que busquei para contar, foram narradas também minhas histórias, vivências e memórias”, destacou Tavares de Melo.
O livro organiza-se em seis capítulos, sendo o primeiro – ‘Processamento industrial do tomate no Brasil – Uma História que remonta ao final do século XIX’, dedicado ao processamento industrial de tomate no Brasil, onde consta o surgimento do setor, destacando a Companhia Manufactora de Conservas Alimentícias, fundada 1890 no Rio de Janeiro e, também a Fábrica Actividade, localizada em Olinda (PE), que iniciou operações em 1893, com produção de vinhos de frutas tropicais e massa de tomates.
O segundo capítulo – ‘Apogeu e decadência do Polo agroindustrial de frutas tropicais e de tomate de Pesqueira’ – trata da trajetória do tomate no município de Pesqueira (PE), com ênfase em sua relação histórica com as Indústrias Alimentícias Carlos de Britto S.A. (Fábricas Peixe). O autor constrói uma narrativa detalhada sobre a empresa, fundada em 1898, como empreendimento familiar que, inicialmente, processava goiaba, araçá, caju, figo para produção de doces e, posteriormente, incorporou a fabricação de massa de tomate.
O terceiro capítulo – ‘O polo agroprocessador de tomate do Submédio São Francisco: da euforia à ruína’ – narra que em meados dos anos de 1970, a atividade de processamento de tomate de Pesqueira já dava sinais de franco declínio. Nessa mesma época, porém, as perspectivas de surgimento de um novo polo agroindustrial de tomate se voltavam para o Vale do Submédio São Francisco, no eixo Petrolina (PE) – Juazeiro (BA).
‘Os oriundi iniciaram o processamento do tomate no estado de São Paulo’ – é o que trata o quarto capítulo com o estabelecimento da agroindústria do tomate no estado de São Paulo, principalmente pela comunidade italiana, tornando-a uma atividade pujante e que gerou muitos empregos. É importante destacar que o autor descreve a história do tomate em São Paulo em três fases, sendo a primeira entre 1930 e 1960, a segunda envolvendo os 20 anos seguintes e, a terceira, entre o início dos anos 1990 até os dias de hoje.
O quinto capítulo – ‘Cerrado goiano, maior polo agroindustrial de tomate da América Latina’ – a história do importante polo agroprocessador de tomate que se estabeleceu no Cerrado goiano, a partir de meados da década de 1980, remonta ao início dos anos 1970. A partir dessa época, foram enviados esforços de pesquisa visando gerar informações e conhecimento sobre a cultura do tomate rasteiro para fins de processamento industrial nas condições agroclimáticas do Cerrado goiano. Uma síntese dos trabalhos de pesquisa e experimentação mais relevantes que foram executados entre 1972 e 1980 apresenta-se a seguir.
‘50 anos de pesquisa e desenvolvimento em melhoramento genético de tomate industrial no Brasil’ – é o que trata o último capítulo do livro numa síntese da pesquisa que foi conduzida com a cultura do tomate industrial nos últimos 50 anos, com avaliação detalhada das contribuições dos pesquisadores das diversas instituições de pesquisa do Brasil.
A obra foi editada pelo autor com apoio da Associação Brasileira de Horticultura (ABH), Blueseeds, VIVATI Viveiro Vale do Tietê e AGL Seeds. Para adquiri-lá, basta entrar em contato pelo whatsapp do autor +55 19 99715 4503.
Vale destacar que breve divulgaremos a edição de outro livro editado por Prof. Paulo César Tavares de Melo. Será a obra “História das Hortaliças no Brasil: do desenvolvimento aos tempos atuais”, produzido quase que simultaneamente a este que estamos divulgando.
Paulo César Tavares de Melo
Nascido em João Pessoa em 1948, é engenheiro agrônomo formado pela antiga Escola de Agronomia do Nordeste (EAN), hoje Centro de Ciências Agrárias da Universidade Federal da Paraíba, e tem mestrado e doutorado em Melhoramento Genético de Plantas pelo Departamento de Genética da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq/USP).
Tavares de Melo atuou na Esalq como professor associado, onde desenvolveu estudos pioneiros sobre o cultivo de hortaliças, com destaque para o tomate industrial. Com ampla experiência em projetos de pesquisa, extensão e consultoria, tornou-se referência no estudo da cadeia produtiva do tomate, acompanhando de perto sua evolução tecnológica, econômica e social.
Apaixonado pela história da agricultura brasileira, neste livro o autor reúne décadas de investigação e vivência profissional registrando, pela primeira vez, a linha do tempo da agroindústria do tomate no País, das origens regionais `consolidação em grandes polos produtivos da América do Sul.
É membro titular da Academia Brasileira de Ciência Agronômica e também foi agraciado com o título de Horticólogo de Honra pela Sociedade Portuguesa de Horticultura e com o Prêmio Nacional de Ciências pela Fundación Alejandro Angel Escobar, na Colômbia.




