A reconstrução da linha do tempo que se inicia bem antes de a armada de Pedro Álvares Cabral aportar na Terra de Vera Cruz. Esse é o ponto de partida que Paulo César Tavares de Mello (foto) adotou para contar a história das hortaliças no Brasil. O livro conecta os primeiros relatos da era colonial, como o consumo nativo registrado na carta de Pero Vaz de Caminha, às revoluções científicas contemporâneas que adaptam sementes e cultivos aos ecossistemas tropicais e subtropicais.
Há mais de dez anos o autor se dedica ao estudo de aspectos históricos relacionados às hortaliças nativas dos biomas brasileiros e àquelas que foram introduzidas durante a era das grandes navegações empreendidas pelos portugueses.
Para Tavares de Mello, a história da olericultura no Brasil é uma narrativa de resistência, paciência e adaptação. “As hortaliças, mais do que meros alimentos, são protagonistas silenciosas da nossa cultura alimentar. O que se segue agora não é um ponto final, mas um convite a reflexão e a ação”.
Dessa forma, a publicação encontra-se dividida em três partes, e contém um total de 11capítulos. Inicialmente é apresentada uma retrospectiva histórica sobre os primórdios da olericultura brasileira que antecede o descobrimento do Brasil e se estende até a virada do século XIX para o XX.
Em seguida, são evidenciadas as transformações verificadas nas olericulturas a partir da primeira década do século XX e os fatores que contribuíram para o impulso do setor nas décadas subsequentes. Um dos acontecimentos marcantes foi a chegada dos imigrantes pioneiros do Japão em 1908. Outro acontecimento que contribuiu para transformar a olericultura brasileira foi a eclosão da Segunda Guerra Mundial em 1939, e que só foi encerrada em 1945.
Na terceira parte da obra, é apresentado um panorama da cadeia produtiva das hortaliças, enfocado sob três aspectos principais: modernização dos setores de produção e comercialização, diversificação da oferta de produtos para o consumidor e avanço nos canais de distribuição e de comercialização. Além disso, são abordados nessa parte final os principais desafios e perspectivas para o futuro.
Com uma linguagem fluída e rigor documental, o autor revela os bastidores do desenvolvimento tecnológico que transformou pequenos cultivos familiares em um dos segmentos mais pujantes, dinâmicos e competitivos do agronegócio nacional. O autor mostra que a evolução da olericultura brasileira se consolidou pela convergência entre a história, ciência e superação técnica.
Sobre a jornada histórica do livro, Mello diz: “tudo se desenrolou desde as matas exuberantes do litoral do sul da Bahia, onde os povos originários já consumiam hortaliças e frutas nativas desse bioma antes mesmo da chegada portugueses, em 1500, até a diversificada oferta de hortaliças no Brasil contemporâneo. Nas minhas anotações sobre o tema busquei apresentar um espelho das transformações sociais, econômicas e culturais da olericultura brasileira em seus diferentes ciclos de desenvolvimento. O próximo capítulo dessa história será escrito por produtores, cientistas e gestores públicos, pois a minha expectativa é de que a história iniciada há mais de cinco séculos se projete em um futuro de maior progresso e sustentável para as gerações vindouras”, concluiu o autor.
A obra foi editada pelo autor com apoio da Associação Brasileira de Horticultura (ABH). Para adquiri-la, basta entrar em contato pelo whatsapp do autor +55 19 99715 4503.
Paulo César Tavares de Melo
Nascido em João Pessoa em 1948. É engenheiro agrônomo formado pela antiga Escola de Agronomia do Nordeste (EAN), hoje Centro de Ciências Agrárias da Universidade Federal da Paraíba, e tem mestrado e doutorado em Melhoramento Genético de Plantas pelo Departamento de Genética da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq/USP).
Atuou na Esalq, instituição onde lecionou na graduação e na pós-graduação. Com sólida trajetória em pesquisa e desenvolvimento, atuou no Instituto Agronômico de Pernambuco (IPA), na Embrapa Hortaliças e como melhorista na iniciativa privada, além de prestar consultoria internacional na Colômbia e na África. Membro titular da Academia de Ciência Agronômica, presidiu a Associação Brasileira de Horticultura (ABH) entre 2005 e 2011.
Sua contribuição científica soma 11 livros, dezenas de capítulos em obras acadêmicas e de divulgação técnica e mais de 101 artigos científicos publicados. Referência internacional no melhoramento genético e hortaliças para ecossistemas tropicais, foi condecorado com o título no melhoramento genético de hortaliças para ecossistemas tropicais, foi condecorado com o título de Horticólogo de Honra pela Associação Portuguesa de Horticultura (APH), e recebeu o Prêmio Marcílio Dias, outorgado pela ABH.
Toda essa bagagem acadêmica e prática converge nesta obra inédita, onde o autor reconstrói a linha do tempo da olericultura brasileira, conectando fatos históricos ao avanço tecnológico recente que consolidou a força do setor no País.




