Equipe do Setor de Gestão de Documentação e Arquivo da Câmara Municipal de Piracicaba - Foto: Aline Capucim
O que começou como uma ideia para divulgar o acervo da Câmara Municipal de Piracicaba se transformou, ao longo de cinco anos, em um verdadeiro resgate da memória da cidade. O projeto “Achados do Arquivo”, que publica semanalmente reportagens sobre documentos encontrados no Setor de Gestão de Documentação e Arquivo, completa meia década de existência com a marca de mais de 200 matérias publicadas — e uma novidade: uma série especial em vídeo para celebrar a data.
Idealizado originalmente em 2020 pela arquivista Giovanna Calabria e pelo jornalista Fábio Alvarez, do Departamento de Comunicação Social, o projeto nasceu com o formato de vídeo. Foram produzidos cinco episódios iniciais, que ainda hoje são exibidos em sessões da Câmara. Com o tempo, porém, a equipe percebeu que a produção em vídeo era trabalhosa demais para manter uma periodicidade constante. Foi então que veio a virada: em setembro de 2021, o “Achados” foi transformado em texto, no formato que se mantém até hoje, e que agora é o que motiva esta comemoração.
“O nome ‘Achados do Arquivo’ não é à toa, porque às vezes é só um achado. A gente até brinca, dá essa sensação para as pessoas que leem do que a gente passa aqui dentro: de alguém que está trabalhando com um documento e fala ‘olha o que eu achei, que interessante’”, explica Giovanna Calabria. “O achado vem mesmo do sem querer a gente topou em algo interessante.”
A variedade de temas é um dos pontos fortes do projeto. Das grandes obras da cidade, como o Mercado Municipal, o Palacete Luiz de Queiroz e o Comurba, a pequenos personagens que marcaram a história local. “Tem um achado que eu gosto muito sobre o Tércio Zem, que é um personagem da história piracicabana. É uma micro-história, mas que faz parte da história também”, conta a arquivista.
Além do resgate histórico, o projeto tem desempenhado um papel fundamental na formação de novos profissionais. Os estagiários do Setor de Gestão de Documentação e Arquivo têm a oportunidade de trabalhar diretamente com fontes primárias, sob supervisão de servidores de carreira da Câmara.
Ighor Menezes, estagiário de História, descreve a experiência como transformadora: “É uma maravilha poder ter acesso a esses documentos, porque eu consigo ver em primeira mão como era a realidade da época. A gente sabe que a história é muito fantasiosa, geralmente, e o documento mostra o nu, como era realmente a vida social e econômica.”
O trabalho de Ighor começa com os livros antigos: ele lê, faz resumos e transcreve trechos que considera relevantes. O material é então apresentado às supervisoras, que avaliam seu potencial para virar um “achado”. “Como estudante de História, poder ter contato com isso, poder ler esses documentos, é muito importante. Você não pode se basear em achismos, tem que ter uma base sólida, e esses documentos são essa base”, complementa.
SÉRIE DE VÍDEOS - Para celebrar os cinco anos do projeto, a partir de sugestão da estagiária Aline Capucim, o Setor de Documentação e o Departamento de Comunicação uniram esforços para produzir uma série especial de seis vídeos. O primeiro, de abertura, já foi publicado no Instagram da Câmara e do Setor de Gestão de Documentação e Arquivo. Os cinco vídeos seguintes serão publicados às quartas-feiras, abordando temas marcantes já explorados pelo projeto.
Entre os destaques estão: um texto de Guilherme Vitti, responsável pelo trabalho inicial de catalogação dos documentos da Câmara desde os anos 1970; a história do Padre José, o Terrível; um episódio sobre a destruição de documentos da época escravagista; a história da denominação do Largo dos Pescadores; e a trajetória de Benedita Penezzi, primeira vereadora eleita em Piracicaba.
“O Vitti é por ser o Vitti, porque sem ele não existiria o setor na Câmara, não existiriam documentos na Câmara”, destaca Giovanna. “A questão do processo-crime ligado à escravidão é sobre o apagamento da história e mostra como o arquivo consegue ser resiliente — documentos que não deveriam existir, mas que estão aqui ainda. O Padre José é sempre um sucesso, é uma história absurda que parece novela.”
Para Aline Capucim, estagiária do Setor de Jornalismo, a oportunidade de participar do projeto tem um significado especial: “A ideia surgiu porque eu precisava fazer um projeto integrador para o Senac. Eu faço computação gráfica, a gente precisa de um cliente real para isso. Pensei: por que não fazer um vídeo sobre o Achados na Documentação? Eu acho muito legal porque posso desenvolver um portfólio para que, quando eu sair daqui, eu possa conseguir mais clientes e trabalhar com isso.”
As matérias do “Achados do Arquivo” são publicadas semanalmente no site da Câmara Municipal e frequentemente reproduzidas por jornais da cidade, ampliando seu alcance. Com quase 200 edições publicadas, o projeto já se consolidou como uma referência na preservação da memória de Piracicaba.
“A cidade passa por aqui, pelo menos uma versão da história passa aqui. Tudo está relacionado à cidade”, resume Giovanna Calabria. “Se você pensar nas funções da Câmara, tudo de história passa por aqui de alguma forma, seja o Palacete, o Mercado, sejam histórias menores, pequenos acontecimentos.”
O projeto é fruto de uma parceria entre o Setor de Gestão de Documentação e Arquivo, ligado ao Departamento Administrativo, e o Departamento de Comunicação da Câmara Municipal de Piracicaba, que continuam trabalhando para garantir que a história da cidade continue sendo resgatada e contada — um “achado” a cada semana.
SERVIÇO - Para acompanhar a série de vídeos dos 5 anos do Achados do Arquivo e também todo o conteúdo publicado semanalmente, siga os perfis no Instagram: @camara.doct e Cami Arboles




