HRP-Unicamp recebe palestra sobre longevidade
Envelhecer bem não significa estar livre de diagnósticos médicos, mas sim preservar a capacidade funcional e a liberdade de escolha
Colaboradores participam de palestra sobre envelhecimento
Na manhã desta terça-feira, 21/7, o Hospital Regional de Piracicaba (HRP-Unicamp) recebeu uma palestra sobre envelhecimento, ministrada pela psicanalista e especialista em gerontologia e neuropsicologia, Lucélia Patrício da Silva. Com iniciativa da Comissão Interna de Prevenção de Acidentes e de Assédio (CIPA), o encontro reuniu colaboradores para debater a revolução promovida pela “geração prateada”, a importância da autonomia na maturidade e os impactos econômicos e sociais do envelhecimento populacional.
Durante a apresentação, a especialista trouxe dados relevantes sobre a demografia brasileira e reforçou um novo paradigma para a área da saúde e para a sociedade, de que envelhecer bem não significa estar livre de diagnósticos médicos, mas sim preservar a capacidade funcional e a liberdade de escolha. Segundo a psicanalista, os novos velhos deram adeus à cadeira de balanço e à passividade. “A geração prateada atual é digital, ativa, vaidosa e busca experiências autênticas.”
Lucélia Silva chamou a atenção para a força da Silver Economy considerada como o terceiro maior mercado do mundo. A palestrante alertou que as estratégias tradicionais de marketing frequentemente disputam a atenção volátil dos jovens enquanto ignoram a parcela da população que detém a maior estabilidade financeira do país. Adaptar setores como turismo de imersão, serviços financeiros e moradias inteligentes ao público maduro não é uma atitude de caridade, mas uma estratégia de mercado inteligente para atender tomadores de decisão que influenciam diretamente o consumo e suas famílias.
O evento trouxe reflexões profundas. Embora as pessoas costumem planejar a compra de carros, viagens e casamentos, raramente projetam a própria longevidade. Lucélia destacou a relevância da Economia do Cuidado, apontando que o planejamento financeiro precoce assegura o poder de escolha e previne a vulnerabilidade extrema na velhice. Paralelamente, abordou a questão da solidão em uma era de hiperconectividade digital, destacando que o isolamento social crônico se tornou um fator de risco tão severo para a saúde física e mental quanto o tabagismo e a obesidade, afetando diretamente a imunidade e o coração.
A partir dos 50 anos, segundo a palestrante, é comum o surgimento de uma crise de identidade, momento em que os indivíduos assumem novos papéis e precisam ressignificar a vida em busca de propósito. Neste sentido, envelhecer deve ser visto como a consolidação da história e a expansão da bagagem existencial. Para combater o idadismo e o isolamento, é fundamental promover o estímulo cognitivo e a participação social engajada.
Ao final da palestra, Lucélia Silva fez um chamado à ação direcionada a toda a sociedade. A construção de uma maturidade digna exige mudança imediata de postura e a revisão da forma como os mais velhos são valorizados hoje. A especialista enfatizou que a superproteção familiar muitas vezes dificulta a vida das pessoas idosas, impedindo-os de ir e vir e limitando a sua independência. Para a palestrante, garantir o protagonismo da geração prateada é reconhecer a pessoa idosa como uma âncora social e econômica, permitindo que ela continue a exercer sua autonomia com liberdade e respeito.




