Os apostos entre travessões, e a IA do Mallandro.
Escrever entre travessões, ou hífens - uma pausa ridícula e desnecessária, diriam os cultores da Língua - é sinal de robô na linha?
O uso dos travessões, ou hífens - desta maneira, como um aposto - no meio da frase, está sendo vendido como um sinal de que uma IA escreveu o texto. Êpa. Sempre gostei de usar o recurso - não que eu seja referência de estilo, nem modelo para ninguém na fila do pão.
Mas já se pegaram fazendo algo que - de repente - é condenado como “desaconselhável”, “fora de moda”, “cafona” ou até mesmo “errado”?
Como usar meias vermelhas com calça preta. Há coisas piores - como sair com uma camisa furada, no tempo do frio - e suspirar aliviado porque venta gelado e não vai precisar a blusa. Eu me coço um pouco, certo desconforto está presente, tensão no ar.
Mas na escrita…? Como diriam Coelho Netto e Humberto de Campos, que maçada, homessa!
Minha reação não foi a de esconder meus apostos como faço com minhas camisas furadas, e sim, desandar a usá-los a torto e a direito - só porque anunciaram e garantiram que era sinal de robô na linha. Uma reação “do contra’, bem típica da minha psiquê perturbada. Agora vou ter que maneirar.
Pensando bem, se eu fosse uma IA, estrategicamente faria um texto do tipo “olha só, estou fazendo algo que uma IA faria, mas admitindo isso, para vocês não pensarem que sou uma IA – escrevendo com ironia e autodepreciação, algo que só um humano faria. Nenhuma IA seria burra a esse nível, seria muito fácil se contradizer”.
Tudo para não ser confundida com o ChatRepeteco, e assim coletar a simpatia de vocês. Até soltaria uma piadinha com o nome da IA mais famosa do mundo – IA tem humor? “Acho que não, né? Pelo menos, você não sabe disso”.
Pegadinha do Mallandro? Você decide.



