Ideia fixa que funciona
O ‘nós contra eles’ é uma farsa financiada pela 'zelite'
Lula recicla o mesmo discurso de sempre e consegue manter sua clientela alerta para mantê-lo no poder. O “nós contra eles” é o mantra que faz sua fama há várias décadas, como se de fato o presidente da República estivesse lutando contra algo que possa ser chamado de “eles”.
Poderíamos até chamar de enigmática a força da sua retórica, que é deslavadamente mentirosa, porque “o próprio Lula é eles”. Mas a tese falaz acaba sendo defendida por ilustres (elite econômica e política) do cenário nacional, que poderiam muito bem fugir dessa tese vitimista.
O “nós contra eles” tem, para essa elite endossante da bobagem lulista, outras configurações, como “mal menor” ou ainda, “voto útil”. Como se Lula não ganhasse pelos seus méritos, mas por ser a garantia de algo abstrato, que substitui a verdade.
O que seria esse algo abstrato? Eu diria que é a familiaridade. Todo mundo sabe até onde Lula pode ir, e Lula também. O “nós contra ele” é o tipo de alarme sobre uma possível mudança, mas que levaria a um cenário novo. E o Brasil, para essa elite, precisa ficar sob controle.
Pelo fato de Lula estar na cadeia, a eleição de Jair Bolsonaro em 2022 fortaleceu o “nós contra eles”, que se tornou interessante para o próprio Bolsonaro, tanto é que só perdeu a última eleição pelo excesso de delinquência do seu grupo político.
Agora surge um novo “nós contra eles” devido à política burlesca de Donald Trump. Flávio Bolsonaro parece estar caindo nessa lorota, como se o candidato do PL fosse pró-Trump, e Lula uma versão sábia do defensor da soberania nacional.
Tanto Lula quanto Flávio agem de forma que afastam o bom senso da conversa. Eles continuam a alimentar o “nós contra eles”, estando um de cada lado. Esta é a armadilha mais bem-pensada do lulismo, travestida de esquerdismo, travestida de voto útil, travestida de “engana-classe-média”.
É evidente que Flávio é um engodo político e acaba dando força à estratégia lulista. Assim, o Brasil vai levando a realidade, sem que o apedeuta precise mudar uma vírgula sequer de seu pensamento estratégico para se reeleger. E a “zelite” assiste encantada ao espetáculo, como se ela salvasse o Brasil de si mesmo com seu voto útil, encabrestado a uma parvoíce.
Onde estaria a saída? Na criação de um novo caminho, uma terceira via, eu diria. Mas não; é melhor ficar como está, porque “em time que eu estou ganhando não se mexe”.




