Perda dentária e inflamações gengivais impactam saúde e autoestima no envelhecimento
Cuidados com a saúde bucal no envelhecimento são essenciais para garantir qualidade de vida

A saúde bucal é uma área de discussão fundamental durante o envelhecimento. Com o passar dos anos, a boca dos seres humanos passa por diversas transformações e o esmalte dos dentes se torna mais fino e frágil, aumentando o risco de desgaste, fraturas e sensibilidade. Entretanto, mesmo com essa importância, o tema é subestimado e recebe pouca atenção nessa faixa etária.
Egídio Dórea, médico e coordenador do programa USP 60+ da Pró-Reitoria de Cultura e Extensão Universitária da USP, comenta que a pauta merece destaque no debate da saúde pública brasileira. “No País, um dos problemas mais comuns é a perda dentária, ainda mais elevada entre os idosos. Cerca de 60% deles apresentam edentulismo em pelo menos uma arcada.”
Qualidade de vida prejudicada
Esse e outros problemas dentais causam diversos problemas à qualidade de vida durante o envelhecimento. Dentre eles, a nutrição é diretamente impactada, visto que, sem dentes adequados, as pessoas evitam alimentos duros, fibrosos ou que exigem mastigação, optando por dietas pastosas, pobres em nutrientes, fibras e proteínas.
Além da perda dentária, outro grande problema na saúde bucal durante o envelhecimento é a periodontite, uma inflamação crônica das gengivas e do osso de suporte dos dentes, causada principalmente por bactérias da placa. No idoso, ela progride mais rapidamente devido às mudanças imunológicas e ao acúmulo de fatores de risco.
A periodontite causa problemas em escala que fogem à zona da boca. “Ela gera inflamação sistêmica que está associada ao agravamento de doenças cardiovasculares, pior controle do diabetes, maior risco de complicações respiratórias e até influência no declínio cognitivo. É um processo silencioso que, se não tratado, pode acelerar a perda dentária e comprometer a saúde geral”, ressalta Egídio.
Medidas de prevenção
Cuidar da saúde bucal traz impactos positivos profundos: melhor nutrição, maior autoestima, redução do isolamento social, menor risco de inflamações crônicas e envelhecimento mais saudável e autônomo. Em meio a essas alterações, muitos problemas podem ser prevenidos ao longo da vida. Uma higiene bucal diária rigorosa, baseada na escovação com cerdas macias após as refeições, uso de fio dental ou escovas interdentais e limpeza da língua podem ser grandes aliados nessa causa.
“Cuidar da saúde bucal passa, primeiramente, por consultas regulares ao dentista, pelo menos a cada seis meses. Além disso, o uso de próteses bem adaptadas quando necessário, higiene cuidadosa delas e hidratação constante para prevenir a boca seca podem ajudar nessa questão”, afirma o médico.
Matéria: Breno Marino | Jornal da USP.




