Instituto Afropira e Casa de Batuqueiro querem tornar o Tambu patrimônio cultural de Piracicaba
Tradição, também conhecida como Tambu ou Kaiumba, será apresentada a escolas e projetos sociais
Instituto Afropira e Casa de Batuqueiro - Foto Paulo Preto Fortunato
O Instituto Afropira e a Casa de Batuqueiro elaboraram o texto para dar entrada ao processo de tombamento do Tambu (também conhecido como Batuque de Umbigada e Kaiumba) como patrimônio cultural imaterial de Piracicaba (SP).
O projeto foi contemplado no Edital De Chamamento Público Nº 04/2024 - Seleção De Projetos Para Agentes Culturais Com Recursos Da Política Nacional Aldir Blanc De Fomento À Cultura – Pnab (Lei Nº 14.399/2022), do município. Além de trazer esta proposta de tornar esta tradição um patrimônio, oportunizou apresentar o Tambu em diferentes escolas e projetos sociais locais.
Uma das tradições de resistência negra de matriz bantu mais antigas do estado de São Paulo, especificamente no médio Tietê, o Tambu integra a cultura caipira de Piracicaba, Tietê e Capivari. Existia em 24 municípios e, atualmente, se mantém nessas três cidades, além de contar com um resgate em Rio Claro.
“A manutenção desta tradição se deve à união entre Piracicaba, Tietê e Capivari na década de 50, quando os mestres que atuavam em suas cidades se preocuparam com a diminuição de participantes e de eventos e decidiram unir forças”, diz Elaine Teotonio, diretora do Instituto Afropira.
Novas gerações
Na década de 90, de acordo com Elaine, uma nova ação foi necessária, quando os mais jovens não estavam inseridos no Tambu e, assim, as gerações anteriores passaram a formar seus sucessores, herdeiros da tradição.
“Nesta geração dos anos 90 estão Vanderlei Bastos e Antônio Filogenio Junior, que receberam o bastão de seus antecessores. Com esta missão de salvaguardar esta tradição, ambos hoje são considerados mestres pela comunidade batuqueira e desde então desenvolvem projetos com crianças e encontros entre gerações”, afirma.
O trabalho com crianças e jovens acontece até os dias atuais, principalmente nas três cidades, por meio de projetos distintos, incluindo a mobilização realizada pelo Instituto Afropira. Os alunos do Instituto, que participam das aulas de danças promovidas por Elaine Teotonio e Mestre Marquinho, realizam junto a Casa de Batuqueiro diversas apresentações em Piracicaba e região, e tem atuado nas escolas disseminando estra tradição, tanto para os alunos como também em formação sobre educação antirracista aos professores, gestores e toda comunidade escolar.
Escolas e projetos sociais
O Instituto Afropira e a Casa de Batuqueiro vão apresentar o Tambu a alunos, professores e gestores de escolas públicas e projetos sociais de Piracicaba, aplicando a Lei 10.639/03, alterada pela Lei 11.645/08, que torna obrigatório o ensino da história e cultura afro-brasileira e africana em todas as escolas, públicas e particulares, do ensino fundamental até o ensino médio.
Serão contempladas as Escolas Municipais Profa Tercilia do Vem Viver e Prof. Sabino Stênico do Jaraguá; Escolas Estaduais Paulo Luiz Valério do Serrote; Prof Augusto Saes do Nova América e Prof Elias De Mello Ayres do Centro; e os projetos sociais Ccinter Do Bosque Dos Lenheiros, Ccinter Do Parque Piracicaba e Assupira (Associação de Surdos de Piracicaba).
“Essas iniciativas fortalecem ações educativas, promovem o reconhecimento das matrizes africanas e contribuem para o combate ao racismo estrutural. Com esse movimento e seus desdobramentos, Piracicaba avança como referência na promoção da diversidade, da memória e da justiça cultural”, completa Elaine Teotonio.




