“Na queda-d’água, até jacaré vira bote salva-vidas.” Se a frase não é bem essa, seu sentido dá a tônica do que pode estar ocorrendo nas eleições presidenciais deste ano.
O eleitorado em geral não se sente bem com Lula nem com Flávio Bolsonaro, mas vai optar por um deles mesmo assim. Porque não apareceu (até este momento avançado) nenhum outro nome com força suficiente para quebrar a polarização entre ambos.
As últimas pesquisas indicam Flávio à frente. É a turma que vê Lula como um jacaré indesejável e, em momento de decisão, começa a pender para seu opositor. Com medo de o Brasil virar para um esquerdismo acima do tolerável, com um governo autoritário e corrupto, este eleitor se arrisca na escolha de um nome que possa refrear essa tendência.
O que está em jogo aqui é a possibilidade de o STF se tornar o partido jurídico do PT e, em especial, de Lula. Isso porque o presidente eleito poderá indicar/nomear até quatro novos ministros de sua preferência para a Corte Suprema nos próximos quatro anos.
Se o cenário já está terrível com Gilmar Mendes, Alexandre de Moraes, Flávio Dino e Cristiano Zanin no time do governo, imaginem como ficará com mais quatro ministros do partido de Lula.
O cenário é tão mórbido que chega a despertar o desejo de ajudar a impedir essa tendência nefasta. Muitos eleitores, que não estariam preocupados com este ou aquele candidato, já consideram esse perigo em sua escolha.
Ou seja, querem recolocar a Corte em seu leito natural, de ser apenas a guardiã da Constituição, e não mais um braço do partido político do governo.
Quanto ao fator corrupção, cada dia surgem mais e mais indícios de que o presidente Lula também esteja envolvido no caso Vorcaro. Basta ler o Estadão de hoje (23/9) e as gravações de celular vazadas pela PF que chamam a atenção para esse aspecto, com Lula sendo presenteado por Vorcaro com uísque, coisa e tal.
Não bastavam apenas os ministros do Supremo tomando uísque e fumando o charuto da corrupção; agora temos o nome do próprio presidente na roda e sendo colocado à prova.
No lado de Flávio, para os que pensam o contrário, há um monte de suspeitas de crimes, com repasses financeiros para os seus a serem explicados. Há um inquérito em andamento, por sinal, para investigar o tal “Dark Horse” e toda a grana para financiar o filme, vinda do banco Master.
Só isso, em condições normais, seria o suficiente para tirá-lo do páreo. No entanto, diante do show de horrores do outro lado, Flávio começa a parecer tolerável e até necessário, inclusive porque nunca foi governo, o que abre um horizonte para que ele possa se aprumar. Ou não.
É terrível pensar assim, mas todo ditado popular tem seu motivo profundo para existir. Por mais que os analistas procurem uma explicação melhor para uma eventual vitória do filho do Jair, uma das explicações mais objetivas e seguras, caso isso aconteça, poderá ser esta: “Na queda-d’água, até jacaré vira bote salva-vidas.”
Neste caso, apenas a altura da queda, que está no imaginário de cada eleitor, dará a medida da distância entre um candidato e outro. Ainda por outro lado (lado é o que não falta nessa história), há uma semaninha pesada pela frente e estamos no Brasil. Em um passe de mágica, a queda-d’água pode desaparecer e voltarmos ao deserto de sempre. O fato é que não para de chover informações neste setembro infindável.





