Primeira Hora: Jornalismo profissional e independente
A estagnação deve avançar até o início das campanhas eleitorais propriamente ditas, em 16 de agosto
O efeito teflon de Flávio Bolsonaro, que registrou apenas pequena queda na intenção de voto do seu eleitorado em um eventual segundo turno, após notícias sobre o seu envolvimento com Vorcaro, dono do Banco Master, revela mais do que um cenário polarizado entre dois pré-candidatos. Mostra também a falta de perspectiva sobre o surgimento de um terceiro nome com potencial de crescimento.
Há apenas cinco meses do primeiro turno, todos os demais pré-candidatos, além de Lula e Flávio Bolsonaro, não se moveram no painel das intenções de voto. Pelo bem da verdade, estão muito abaixo de um indicador imaginário que possibilitaria alguma mudança real. As últimas pesquisas mostram que nenhum deles sofreu variações favoráveis até o momento. O que se sabe é que apenas Renan Santos (Missão) tem crescido, mas junto a um público muito específico, de jovens que seguem suas redes sociais.
A estagnação deve permanecer até o início das campanhas eleitorais propriamente ditas, em 16 de agosto. Todo mundo sabe que a campanha já começou. Para o TSE, há um protocolo burocrático, que ninguém respeita, mas serve de referência até a agenda oficial de abertura dos palanques e dos discursos em canais abertos de TV e rádio.
Se não houver nada de adicional vindo do submundo do crime, seja via Polícia Federal ou delações de envolvidos em falcatruas, que possam atingir os líderes na disputa, a tendência é o imobilismo do cenário e o confronto acirrado. Por se tratar de uma eleição com apenas dois candidatos fortes e polarizados, o resultado deve registrar alto grau de abstenções, votos brancos e nulos. Há um público enorme que não se vê representado nem por Lula nem por Flávio Bolsonaro.
As acusações entre as partes devem ser intensas a partir de agosto. Mas dificilmente aparecerá algo de novo que já não seja de domínio público. O jornalismo investigativo sim pode fazer a diferença. Há no Brasil, felizmente, núcleos de profissionais habilitados para esse trabalho nos grandes veículos de comunicação. As informações, no entanto, precisam existir. O exercício do poder para controlá-las não costuma ser suficiente para contê-las. Se há alguma aposta a ser feita sobre potenciais mudanças de cenário nesta corrida eleitoral, ela está no jornalismo profissional e independente.





