Julio Katinsky deixa legado para a arquitetura moderna brasileira
Professor Emérito da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo e de Design da USP, Julio Katinsky morreu aos 94 anos e deixa legado de mais de 70 anos dedicados à arquitetura, ao ensino e à pesquisa

O arquiteto e urbanista Julio Roberto Katinsky faleceu na última quarta-feira, dia 10 de junho, aos 94 anos. Professor Emérito da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo e de Design (FAU) da USP, título que recebeu em 25 de abril de 2025, Katinsky deixa um legado construído ao longo de mais de sete décadas de atuação profissional. Sua trajetória se confunde com a própria história da FAU, reunindo atividades em arquitetura, urbanismo, design, ensino, pesquisa, extensão, orientação acadêmica e gestão universitária.
Nascido em Salto, no interior de São Paulo, em 1932, ingressou aos 20 anos no curso de Arquitetura e Urbanismo da USP, formando-se em 1957, nos primeiros anos de funcionamento da FAU como unidade autônoma. Ainda como estudante, participou ativamente do Grêmio da faculdade e do Centro de Estudos Folclóricos, posteriormente denominado Centro de Estudos Brasileiros, iniciativa pioneira voltada ao estudo da arquitetura colonial, vernacular e moderna brasileira. Em 1962, passou a integrar o corpo docente da FAU, onde lecionou por mais de 60 anos, tornou-se professor titular e formou sucessivas gerações de arquitetos e urbanistas.
Ao longo de sua carreira, desenvolveu uma produção arquitetônica e de design marcada pela diversidade e pela inovação. Trabalhou no L’Atelier de Jorge Zalszupin, onde projetou peças como a mesa de centro Andorinha, e também no escritório de João Batista Vilanova Artigas. Participou da equipe que elaborou a proposta classificada em quinto lugar no concurso para o Plano Piloto de Brasília e projetou peças emblemáticas do design brasileiro, como a Poltrona Katinsky, de 1959, e a Banqueta Katinsky, criada no final da década de 1960.
Entre seus principais trabalhos arquitetônicos destacam-se o projeto vencedor para a sede do Iate Clube de Londrina, desenvolvido em 1960; o Teatro Municipal de Santos, concebido em parceria com Oswaldo Corrêa Gonçalves e Abrahão Sanovicz; sua residência em Paraty, construída em 1968; a participação na equipe responsável pelo Pavilhão do Brasil na Expo 70, em Osaka, coordenada por Paulo Mendes da Rocha; e sua casa no bairro de Perdizes, em São Paulo, considerada uma síntese de suas reflexões sobre arquitetura e habitação.
Durante os anos 1970, integrou a Divisão de Arquitetura e Urbanismo da Companhia Energética de São Paulo (Cesp), participando de projetos ligados às usinas de Xavantes e Corumbataí. Em 1986, fez parte da equipe coordenada por Oscar Niemeyer para o desenvolvimento do projeto de reurbanização do Parque do Tietê. Também atuou na preservação do patrimônio histórico, desenvolvendo projetos para o Engenho dos Erasmos, em Santos, e, mais recentemente, participou do restauro do edifício principal da Faculdade de Medicina da USP, a Casa de Arnaldo.
Como docente e pesquisador do Departamento de História da Arquitetura e Estética do Projeto da FAU, contribuiu decisivamente para os estudos de História da Arquitetura, História das Técnicas e Tecnologia. Sua tese de doutorado, “Casas Bandeiristas”, defendida em 1973 sob orientação de Flavio Motta, tornou-se referência nos estudos sobre arquitetura brasileira. Também foi pioneiro na utilização de maquetes e modelos tridimensionais como ferramenta de análise crítica da arquitetura e desenvolveu pesquisas sobre perspectiva linear e representação nas artes e na arquitetura.
Na pós-graduação, destacou-se pela formação de dezenas de mestres e doutores e pelo incentivo aos estudos em História da Ciência e Metodologia Científica aplicada à Arquitetura e ao Urbanismo.
A FAU publicou uma nota em homenagem a Julio Katinsky assinada pelos professores Artur Simões Rozestraten, Helena Aparecida Ayoub Silva, Jorge Bassani e pelo mestrando Isac Pereira Marcelino.
Fonte: Jornal da USP.



